Mais de 45,2 milhões de pessoas estão, atualmente, deslocadas em todo o mundo, devido a vários conflitos, no número mais elevado desde o início do milénio, de acordo com os últimos dados recolhidos pelo Conselho Norueguês para os Refugiados (CNR).

Os números do CNR, uma organização não-governamental independente, foram apresentados no último relatório oficial e referem-se a 2012. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) indica um número semelhante, no relatório sobre 2012, apresentado em meados do ano passado.

De acordo com o documento, a primeira metade do ano passado ficou marcada por uma continuação de múltiplas crises de refugiados, atingindo níveis muito superiores aos da década anterior.

As estimativas do ACNUR indicam que o número total de pessoas que procuraram proteção dentro ou fora das fronteiras dos seus países, durante a primeira metade de 2013, excedeu os 5,9 milhões.

Conflitos, como os que se registam na Síria, na República Centro-Africana, na República Democrática do Congo (RDCongo) e Mali, obrigaram mais de 1,5 milhões de pessoas a procurar refúgio, sobretudo nos países vizinhos.

Em vez de diminuir, o número de refugiados aumenta e atinge níveis idênticos aos registados em 1994, de acordo com o ACNUR, cita a Lusa.

Dos mais de 45 milhões de pessoas afetadas, 16,4 milhões são refugiados, 937 mil pediram asilo e 28,8 milhões são deslocados internos, ou seja, pessoas obrigadas a fugir dentro das fronteiras do seu próprio país, acrescentou a agência da ONU.

O número de deslocados internos em todo o mundo registou um aumento de 2,8 milhões em relação a 2011.

A guerra e os conflitos armados continuam a ser a principal razão da fuga das populações, tendo obrigado 55% dos refugiados a abandonar as suas casas, de acordo com o ACNUR.

Os palestinianos constituem o maior grupo de refugiados, com um total de cinco milhões. Do Afeganistão fugiram 2,9 milhões, do Iraque 1,8 milhões, e da Somália 1,2 milhões, indica o relatório do CNR.

Os cinco países com o maior número de deslocados internos são a RDCongo (456 mil), Birmânia (407 mil) Colômbia (390 mil), e Sudão (370 mil), acrescenta as duas organizações.

A Síria registou o maior aumento do número de deslocados internos, em 2012, com 2,4 milhões. Foi também o país que contabilizou o maior número de refugiados em 2012 (660 mil), afirma o CNR.

Um aspeto preocupante é a baixa idade dos refugiados. Os menores de 18 anos constituiram, em 2012, 46% da população em fuga e cerca de metade do número total de refugiados são mulheres, em países onde são frequentemente vítimas de violência de género.

Numa reunião de países de acolhimento de refugiados sírios (Iraque, Líbano, Egito, Jordânia e Turquia), organizada num campo perto de Sanliurfa (no sul da Turquia), na sexta-feira, o responsável do ACNUR, António Guterres, pediu às partes do conflito sírio que encontrem «uma solução política», reconhecendo «não existir solução humanitária para este problema».

«Por isso, é muito importante enviar uma mensagem muito clara à comunidade internacional que se vai reunir na próxima semana, em Genebra: é absolutamente incontornável pôr fim a este banho de sangue e encontrar uma solução política», acrescentou o Alto-comissário.

O Paquistão é um dos principais países recetores de refugiados, com um total de 1,6 milhões, no fim de 2012. Em segundo lugar, encontra-se o Irão, com perto de 870 mil, seguido da Alemanha (cerca de 590 mil) e do Quénia (575 mil).

Cerca de dois terços dos refugiados de todo o mundo estão no exílio há mais de cinco anos, e a maioria não tem qualquer perspetiva de regressar ao país ou ao local de origem.

Em 2012, 2,7 milhões de pessoas conseguiram deixar o local de exílio e regressar a casa, incluindo, neste número, 526 mil refugiados e 2,1 milhões de deslocados internoS, um número insuficiente, de acordo com o ACNUR.