A Organização das Nações Unidas (ONU) retirou o convite ao Irão para participar na conferência sobre a paz na Síria, devido à sua recusa de apoiar apelos a um governo de transição, disse um porta-voz da instituição.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está «profundamente desapontado» pela declaração iraniana de rejeição de um comunicado adotado pelas potências internacionais sobre o fim da guerra na Síria, especificou o porta-voz, Martin Nesirky.

Em resultado da retirada do convite ao Irão, a oposição síria já comunicou a sua vontade de participar na conferência.

Antes, os Estados Unidos da América (EUA) fizeram saber que não queriam o Irão na conferência sobre a Síria, que começa na quarta-feira em Genebra, na Suíça. A Aliança Nacional Síria tinha já anunciado que boicotaria a conferência se o Irão lá tivesse assento,

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, viu-se assim pressionado para retirar o convite dirigido a Teerão.

A Aliança Nacional Síria (ANS) já tinha formulado o ultimato de que, se até às 19:00 desta segunda-feira (hora de Lisboa) não fosse retirado o convite ao Irão, a ANS não estaria presente na conferência. «A participação do Irão é para nós uma linha vermelha», afirmou o porta-voz da ANS.

Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano junta agora mais uma objeção. «Esperamos que o convite seja retirado (...) O procedimento do Irão só tem agravado as tensões. Não consideramos que uma participação [do Irão] ajudasse», referiu.

O secretário-geral da ONU tentou defender-se contra as pressões para anular o convite. Ban Ki-Moon afirmou que o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohamed Dschawad Sharif, teria «garantido que o Irão, como todos os países que participam na sessão de abertura em Montreux, toma conhecimento de que a base para a conversações é a completa aplicação do comunicado de 30 de junho de 2012».