O parlamento da Crimeia adotou uma declaração de independência da Ucrânia esta terça-feira.

«Este documento é muito importante tanto para o referendo como para o futuro da Crimeia se se juntar à Rússia», disse o porta-voz do parlamento da Crimeia em declarações à agência RIA.

A declaração de independência foi aprovada numa sessão extraordinária por 78 votos em 100.

«Depois do referendo, a Crimeia, como estado soberano e independente, vai perguntar à Rússia para se juntar à Federação Russa», acrescentou o porta-voz.

O referendo ao povo da Crimeia, com o intuito de saber se se querem juntar à Rússia ou continuar junto da Ucrânia está marcado para dia 16 de março, mas, parecem haver poucas dúvidas de que a Crimeia passa para a Rússia.

Já na terça-feira, o primeiro-ministro pró-russo da Crimeia, Serguei Axionov, afirmava que a incorporação desta república autónoma ucraniana na Rússia poderá ficar concluída «em meses» caso o referendo, convocado para domingo, avalize essa opção.

«Se a consulta popular disser que sim, que a Crimeia deve formar parte da Rússia, começaremos a trabalhar 24 horas por dia», disse o líder pró-russo, numa entrevista à agência oficial russa RIA-Novosti.

As ameaças de Kiev de que dissolve o parlamento da Crimeia caso o referendo não seja anulado, parecem não surtir grande efeito. Ou as reações da comunidade internacional que alegam que a consulta pública é ilegal.

A notícia da declaração da independência do parlamento da Crimeia apanha o primeiro-ministro ucraniano no dia em que conversa com Barack Obama. Tal como ministros de vários países se juntam, em Londres para discutir a tensão naquele território europeu, tão perto.

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A tensão interna na Ucrânia há muito que extravasou as fronteiras do país. E a Crimeia tornou-se o pretexto de um braço de ferro entre ocidente e oriente, Estados Unidos e Rússia.

John Kerry, o secretário de Estado americano, recusou encontrar-se com Vladimir Putin enquanto a Rússia não retirar do território autónomo da Crimeia, informa a BBC.

A Rússia também deu asilo ao presidente deposto da Ucrânia que numa conferência de imprensa em Moscovo, continua a não reconhecer o novo poder ucraniano e a chamar-lhes «um bando de fascistas».