Os talibãs quebram o silêncio sobre a tentativa de assassinato de Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa, baleada quando defendia o direito à educação pelas raparigas. Um alto dirigente talibã confessa-se: «desejava que o atentado a Malala nunca tivesse ocorrido». Reconhece isso mesmo numa carta aberta enviada à jovem ativista.

«Pensaram que a bala nos silenciaria, mas enganaram-se». As palavras de Malala na ONU, na semana passada contrastam com estas do talibã, Adnan Rashid, que, em nome dos talibãs, se arrepende de ter querido a sua morte, sem, no entanto, nunca pedir desculpa pelo sucedido e escusando-se a emitir opinião se Malala estava certa ou errada na sua reivindicação.

Malala falou nas Nações Unidas, em Nova Iorque na sexta-feira, dia do seu décimo sexto aniversário, que por pouco não atingia, já que sofreu uma intervenção cirúrgica complexa após ter sido baleada. Tinha 14 anos na altura. Transferida do Paquistão para o Reino Unido, Malala tem estado a viver em Birmingham desde então. Após um longo período internada, Malala já está em casa com a família, que se mudou para Inglaterra, mas não esqueceu a sua luta.

Adnan Rashid explica que ficou «chocado» quando soube do atentado à vida de Malala, numa altura em que estava preso por alegado atentado à vida do presidente, e deseja que a jovem regresse ao Paquistão.

Palavras bonitas que não impressionam o diretor do organismo dedicado ao estudo tribal de Islamabad, Mansur Mahsud, para quem a carta de Rashid não passa de propaganda numa tentativa de impressionar a opinião pública paquistanesa e internacional. Mahsud adverte que Malala não estaria segura se regressasse e vai ao ponto de afirmar que «acha que Adnan rashid ficaria muito satisfeito se enviasse Malala para outro mundo», cita a NBC.