Há como que duas espadas pendendo sobre o pescoço de Mariano Rajoy, a crise da economia espanhola e a crise que abala o PP. O chefe de governo espanhol faz jogo de cintura entre a austeridade que impõe aos espanhóis e a popularidade em queda. Mas, não é crise, nem as previsões do FMI que manteve esta terça-feira suas previsões de contração da economia espanhola em 1,6% para 2013 e cortou as de 2014 que mais preocupam Mariano Rajoy. As contas que importam são outras. E não são de agora, mas como a nata vem ao de cima, o escândalo estalou em fevereiro e continua a fazer mossa, e a oposição pede a demissão de Rajoy.

Uma página de um caderno é tudo quanto alegadamente é preciso para destruir a carreira política do chefe de governo de Espanha. Isso e cerca de 25 mil euros que lhe foram parar ao bolso em finais da década de 90.

O antigo tesoureiro do PP, Luís Bárcenas, detido por causa de um outro escândalo, de corrupção, era quem controlava o alegado esquema que patrocinava o partido e os seus dirigentes quando isso era proibido por lei, ou seja, uma dupla contabilidade, denunciada pelo «El País».

A dúvida e a veracidade dos documentos têm pairado sobre a cabeça de Rajoy desde então, estávamos em janeiro, mas permitindo que vá passando pelos pingos da chuva. O PP sempre se refugiou no facto dos papéis apresentados pelo jornal serem fotocópias e, como tal, falsos. Ora, na terça-feira ¿ até os números do FMI ficaram esquecidos -, o «El Mundo» revelou a folha original e entregou-a à polícia. Um perito em caligrafia, Tomás A. de Corcuera, presidente da Associação de Peritos em Caligrafia, que o «El Mundo» consultou, o documento não poderia ter sido escrito todo da mesma vez, deitando por terra um dos argumentos do PP de que Bárcenas teria escrito tudo de uma vez só e negando por isso a responsabilidade do chefe de governo, que nessa data seria ministro.

Mas, há mais em jogo, e o PSOE, principal partido da oposição não desarma: para além de ser suspeito de ter recebido dinheiros indevidamente, Mariano Rajoy terá alegadamente mentido enquanto chefe do executivo. Os socialistas reiteram, por isso, o pedido já feito várias vezes, para que Rajoy seja ouvido pelo Congresso.

«Nunca, repito, nunca recebi dinheiro sujo, nem no partido nem em parte nenhuma», as palavras ditas por Mariano Rajoy, a 2 de fevereiro, e que lhe podem custar a cadeira do poder.

Ironia, foi Rajoy quem promoveu Bárcenas dentro do PP.

O «El Mundo» escreve esta quarta-feira na sua edição, que «perca ou ganhe algo Bárcenas, certo é que fez xeque-mate a Rajoy e ao PP neste tabuleiro de xadrez».