O presidente norte-americano é taxativo: «O avião foi abatido». Em conferência de imprensa, Barack Obama não tem dúvidas de que o aparelho foi abatido por um míssil que veio de uma zona controlada pelos separatistas. No entanto, com cautela nas declarações, não os nomeia responsáveis pelo ataque.

Obama afirmou ainda que o ataque é «um ultraje de proporção indiscutível» e apelou a que seja feita uma «investigação internacional credível» para apurar o que aconteceu para que o avião fosse abatido.

O presidente dos EUA disse ainda que os rebeldes pro-russos na Ucrânia recebem um «fluxo constante» de armas - incluindo armas anti-aéreas - e de treino da Rússia. Obama apelou também a um cessar-fogo imediato entre o governo de Kiev e os rebeldes pro-russos na região leste de modo a que a investigação internacional possa acontecer sem adulteração de provas.

O relatório preliminar dos serviços secretos norte-americanos, acabado de ser publicado na imprensa dos EUA, indica que o avião da Malaysia Airlines que se despenhou na quinta-feira no leste da Ucrânia foi abatido por um míssil disparado pelos separatistas pró-russos.

O ataque foi provavelmente levado a cabo por um míssil SA-11 ou de classe similar, com recurso a um sistema terra-ar, revela o relatório citado pelo jornal norte-americano «Washington Post», que cita fonte oficial.

O SA-11 é uma versão mais antiga do sistema BUK, identificados pelas autoridades ucranianas como sendo a arma que provocou a queda do avião e a consequente morte de todos os 298 passageiros e tripulantes a bordo.

Este relatório ainda é uma versão inicial, já que os norte-americanos continuam a investigar.

Esta informação vem dar força à veracidade as comunicações interceptadas pelos serviços secretos ucranianos logo após a tragédia e onde um separatista assume: «Acabámos de abater um avião».

Esta sexta-feira, o presidente Ucraniano culpou os separatistas de Donetsk pela queda do aparelho. o Governo de Kiev afirma ter imagens dos separatistas a transportar o sistema de mísseis para a fronteira com a Rússia, esta sexta-feira. O Governo afirma que o aparelho tem um dos mísseis em falta.

A autenticidade do vídeo ou das declarações não foram, no entanto, confirmadas, e a Rússia afirma que esta é apenas mais uma tentativa de Petro Poroshenko envenenar os esforços para investigar o desastre.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, também acredita na culpa da Rússia no desastre, uma vez que todos os que apoiam os separatistas são responsáveis pelo que aconteceu.

«Todos são responsáveis. Todos os que suportam estes terroristas, incluindo os russos e o regime russo», afirmou.

«Isto é um crime contra a humanidade. Todas as barreiras foram ultrapassadas. Pedimos aos nossos parceiros internacionais uma reunião de emergência com o Conselho de Segurança da ONU para travar esta guerra: uma guerra contra a Ucrânia, a Europa e, depois deste ataque terrorista, uma guerra contra o mundo», continuou o primeiro-ministro.

Nas Nações Unidas, Secretário-geral Ban Ki-moon manda abrir inquérito após considerar « credíveis» as informações que levam a crer que o aparelho foi abatido por um míssil.

Três dezenas de peritos da OSCE já estão no local para analisar os destroços.

Foram encontradas duas caixas negras que serão analisadas. As equipas de emergência ucranianas encontraram as caixas negras entre os destroços do avião que se espalharam por vários quilómetros.

EUA podem adicionar novas sanções à Rússia

A Reuters sabe que o senador norte-americano, Chris Murphy, quer reunir com outros senadores durante o fim-de-semana para discutir novas sanções a impor à Rússia na sequência do desastre.