A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou «graves» as acusações de que um agente dos serviços secretos germânicos fez espionagem para os Estados Unidos, exigindo um esclarecimento rápido por parte de Washington.

Merkel falava durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, em Pequim, no quadro da sua visita à China, a sétima desde que chegou ao poder em 2005.

«Se as informações estiverem corretas, tratar-se-ia de um caso grave», afirmou Merkel, realçando que, a confirmarem-se as suspeitas em torno do duplo agente, isso significaria «uma clara contradição» face àquilo que considerou ser uma cooperação de confiança entre agências e parceiros.

De acordo com fontes da Reuters, o suspeito, que é alemão e tem 31 anos, admitiu ter passado a um cidadão americano informações referentes ao trabalho de uma comissão parlamentar destinada a investigar as revelações sobre as atividades da NSA.

Os deputados, que pertencem a esta comissão especial, acrescentam que o suspeito terá oferecido os seus serviços aos Estados Unidos de forma voluntária.

Segundo o jornal alemão «Sueddeutsche Zeitung» e os canais «WDR» e «NDR», inicialmente as suspeitas eram de que o homem tinha contatado agentes russos. Só depois de ter sido detido o alemão confessou ter colaborado com os americanos.

O jornal «Bild» avança que o homem trabalhou dois anos como agente duplo e roubou 218 documentos confidenciais. Três dos documentos estavam relacionados com o trabalho da comissão e terão sido vendidos por 25 mil euros.