Mark Weiss, antigo piloto da American Airlines, dirige a equipa de aviação civil do Spectrum Group, empresa baseada em Washington DC.

Este especialista norte-americano em aviação conhece a fundo a operação de investigações e buscas do voo MH370 da Malaysia Airlines, misteriosamente desaparecido a 8 de março passado, minutos depois de ter descolado do aeroporto de Kuala Lumpur, nunca tendo chegado a Pequim.

A experiência de 20 anos a comandar um Boeing 777 em tudo idêntico ao que desapareceu leva-o a apontar para uma hipótese de «algum tipo de luta ter acontecido no cockpit», muito provavelmente provocada por um ou mais intrusos.

Entrevista exclusiva ao tvi24.pt

Que cenário consegue imaginar do que aconteceu dentro daquele avião, então?

Com os anos que tenho de experiência, vejo o comandante de um Boeing 777 como alguém que tem muitas opções. Como alguém que deve tomar a melhor decisão, sabendo das possibilidades em cima da mesa. E o que é estranho nesta situação é que isso parece não ter acontecido: se o avião estava em perigo, fosse por um incêndio ou explosão, porque não pediu ajuda? A falta de qualquer sinal de ajuda leva-me para a possibilidade de desvio. Volto sempre a este ponto.

Mas quem poderá ter feito algo desta dimensão, se dois meses depois não houve qualquer reivindicação de atentado?

Boa questão. Também tenho essa inquietação e talvez isso me leve a inclinar para uma hipótese de alguém isolado que, em desespero, tenha cometido um ato tresloucado. Alguém com a casa por pagar ao banco; alguém que engravidou a namorada e não consegue assumir; alguém que precisasse de simplesmente desaparecer. Às vezes, as coisas de maior dimensão têm explicações relativamente pequenas.

Acredita mais nisso do que num atentado feito por um grupo organizado de terroristas?

Sim, em primeiro pelas razões que falávamos há pouco: se tivesse sido um atentado, onde está o grupo de terroristas a reivindicá-lo, dois meses depois? É certo que mesmo que alguém tivesse aparecido, tínhamos que pôr em causa, podia ter sido um aproveitamento. Sabemos que nos meses anteriores tinha havido um grupo terrorista chinês, a «Brigada dos Mártires», que tinha tido cinco ou seis baixas e poderia querer vingar-se. Houve uma tentativa de reivindicação desse grupo, mas não tinha fundamento.

Há ainda a questão das baterias de lítio, possivelmente dos telemóveis dos passageiros. Elas continuaram a emitir algum tipo de sinal durante algumas horas.

Precisamente, isso é outro indicador de que o avião continuou a voar durante algumas horas, depois do desaparecimento. E é também um indicador de que não explodiu simplesmente.