Um juiz espanhol emitiu mandados de captura para os antigos presidente e primeiro-ministro chineses por alegado genocídio de tibetanos.

Para além de Jiang Zemin e Li Peng, outros três oficiais chineses são desejados pela justiça espanhola, segundo noticia a CNN. São acusados de «genocídio, tortura e crimes contra a humanidade».

O juiz espanhol Ismael Moreno deu procedência aos pedidos das organizações pró-independência do Tibete e assinou os mandados de captura que já seguiram para a Interpol. Foram emitidos esta segunda-feira, véspera do Parlamento espanhol debater se o princípio da justiça universal não devia ser limitado, ou seja, a Espanha deixaria de poder encetar casos quando os abusos não estão relacionados com o país.

O debate vem na sequência de muitas queixas, principalmente de países da América Latina, e que criam mal-estar nas relações diplomáticas.

O caso mais famoso foi protagonizado pelo juiz Baltasar Garzón, que se tornou conhecido em todo o mundo, no final da década de 90, ao ordenar a prisão de Augusto Pinochet, por alegados crimes enquanto chefe de Estado do Chile, e que desencadeou um «conflito» com o Reino Unido, que se recusou a extraditar o antigo ditador.

Os antigos governantes e os oficiais têm a garantia de que não serão detidos em território chinês, mas há uma pequena hipótese de o virem a ser fora das fronteiras chinesas e, só essa hipótese, já deixa satisfeito Alan Cantos, presidente do Comité Pró-Tibete de Barcelona: «Revela que a justiça funciona, apesar de tudo».