O estado de emergência foi declarado, nesta quarta-feira, na Libéria pela presidente do país. Ellen Johnson-Sirleaf considera que o estado epidémico do vírus do Ébola ameaça a segurança do país.

«O governo e o povo da Libéria requererem medidas extraordinárias pela sobrevivência do nosso Estado e pela proteção das vidas do nosso povo», disse Ellen Johnson-Sirleaf, concluindo, numa mensagem ao país: «Declaro o Estado de Emergência em toda a República da Libéria a partir de 6 de agosto de 2014 por um período de 90 dias».

De acordo com os últimos dados da Organização Mundial de Saúde, na Libéria existem pouco mais de 500 pessoas infetadas ou sob suspeita, mas a declaração deste estado de emergência faz prever um cenário bem mais grave.

A British Airways anunciou terça-feira a suspensão até 31 de agosto dos voos de e para a Libéria e Serra Leoa, dois dos quatro países da África Ocidental atingidos pela epidemia de febre hemorrágica provocada pelo vírus Ébola.

Um missionário espanhol e duas freiras que trabalhavam num hospital da Libéria foram infetados pelo vírus.

O padre Miguel Pajares, de 75 anos, natural de Toledo, cuidou do diretor do hospital, Patrick Nshamdze, que este sábado acabou por morrer depois de infetado com o vírus. Os primeiros testes revelaram-se negativos, pelo que o padre espanhol continuou a cuidar e a alimentar o camaronês, até que lhe foi também diagnosticada a infeção com o vírus.

Desde o início da epidemia em fevereiro, o vírus do Ébola matou 932 pessoas em 1.711 casos na África ocidental, segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde. Foram registados casos na Guiné-Conacri, na Libéria e na Serra Leoa.

Nesta quarta-feira, a presidente da Libéria já tinha apelado aos seus compatriotas para cumprirem três dias de jejum e oração a partir de hoje para pedir proteção divina contra a epidemia de Ébola, segundo um comunicado da presidência. Mas a preocupação da presidente aumentou, declarando agora estado de emergência.