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Durão Barroso apelou esta sexta-feira que o Reino Unido se envolva com os seus 28 parceiros da União Europeia em vez de se afastar e não dê um tiro no pé da União Europeia, a propósito da lei de limitação de imigrantes de David Cameron.

«A coisa certa a fazer não é afastar-se, mas reunir-se com os parceiros e perceber que juntos podemos fazer melhor, disse o presidente da Comissão Europeia na London School of Economics.

Na conferência, Durão Barroso recordou ainda as suas principais medidas desde que assumiu a presidência do executivo comunitário, em novembro de 2004, e realçou o seu objetivo de «dar lugar à diversidade, sem prejudicar a unidade fundamental dos 28 Estados-membros».

«A UE não seria o que é hoje se não fossem os políticos, os empreendedores e os pensadores britânicos. Sem o Reino Unido, a Europa não teria impulsionado tantas reformas e seria menos aberta e menos internacional», sublinhou o presidente da Comissão Europeia, apelando ao mesmo tempo para o europeísmo britânico.

«É paradoxal que um país como o Reino Unido, que é tão aberto ao mundo, se mantenha dividido em relação à Europa», afirmou Durão Barroso, numa referência ao sentimento de anti-europeu que se estendeu a algumas fações da sociedade britânica.

«Não devemos olhar para o outro lado, mas assumir o compromisso e ver o que podemos fazer juntos para melhorar. Se não gostam da Europa como está agora, melhorem-na», concluiu.

Barroso descartou qualquer hipótese de reformulação do princípio da liberdade de circulação de trabalhadores no espaço europeu e advertiu que, assim, o Reino Unido está a dar um «tiro no pé» da União Europeia, como escreve a Reuters.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, lamentou que exista «uma tentação de europeizar os fracassos e de nacionalizar os sucessos».

A cerca de três meses das eleições europeias, que se realizam entre 22 a 25 de maio, Durão Barroso apelou para a integração europeia como «a melhor ferramenta para gerir e beneficiar a globalização» e destacou a eficácia da União Europeia (UE) para «responder à crise e pegar o touro pelos cornos».

Durante a mesma intervenção, o presidente da Comissão Europeia lamentou que a UE seja alvo de críticas «caricaturais», como foi o caso desta semana quando «foi acusada pelas devastadoras inundações no sul de Inglaterra» ou quando foi responsabilizada pela «morte da girafa Marius na Dinamarca», referiu em tom irónico.

A administração do Jardim Zoológico de Copenhaga avançou este mês com a decisão de abater Marius, uma girafa saudável com dois anos, para evitar a reprodução entre animais geneticamente parecidos. As leis europeias proíbem a consanguinidade, como recorda a Lusa.