O editorial do «Jornal de Angola» desta segunda-feira revela que o Ministério Público angolano está a investigar vários portugueses por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.

«Em Angola, o Ministério Público informou que está a investigar vários casos de corrupção e lavagem de dinheiro que envolvem cidadãos portugueses», escreve o editorial, sem precisar mais informações.

A diferença entre Portugal e Angola, é que não houve fuga de informação sobre quem está a ser investigado. «Nunca os Procuradores responsáveis por esses processos deram aos jornalistas angolanos informações que lhes permitissem fazer manchetes, assassinando na praça pública cidadãos que gozam da presunção de inocência e só podem ser julgados nos Tribunais. Não somos melhores que ninguém. Mas também não somos os piores do mundo, como dizem diariamente elites portuguesas ignorantes e corruptas».

Neste editorial, o «Jornal de Angola» sublinha que as fugas de informação em Portugal sobre casos em investigação representam «uma verdadeira agressão a Angola». O jornal considera, por isso, que «a crise social e económica em Portugal retirou a políticos e comentadores algum discernimento e perspicácia.»

Segundo defende o editorial de Angola, «enquanto persistir a onda de deslealdade e agressão que vem de Lisboa não são aconselháveis cimeiras». E contianua dizendo que «é um rotundo erro desvalorizar a posição tomada» por José Eduardo dos Santos. E vai mais longe: «Portugal já não está nas grandes obras públicas no nosso país. Não está no petróleo. Não está na transferência de tecnologias. Aí estão a China e o Brasil. Portugal parece estar apenas reduzido à chantagem e à falta de respeito».

«A postura actual do Estado português representa uma verdadeira agressão a Angola. A agressão mediática de Portugal vem de alto a baixo, de representantes de órgãos de soberania, de políticos, deputados, magistrados, partidos políticos portugueses. É evidente que damos um desconto quando alguns se comportam como crianças tratando de assuntos sérios e dizem que a democracia deles é melhor do que a nossa. Ou que os portugueses respeitam a separação de poderes e os angolanos não».

O jornal critica que as fugas de informação para a imprensa sobre as investigações a alto dirigentes angolanos não significa que o país angolano está contra a liberdade de imprensa. «Afirmar que os angolanos querem acabar com a liberdade de imprensa em Portugal, é mais do que criancice. Entra no domínio da enfabulação infantil».

A propósito de investigações do Ministério Público português culpa, o editorial dá como exemplo o que se passou com a investigação ao Freeport que envolvia o antigo primeiro-ministro José Sócrates ¿ ao fim de sete anos de investigação, nada foi provado.

«Na democracia portuguesa, o antigo Primeiro-Ministro José Sócrates viu o seu nome referido na comunicação social como corrupto, a propósito do licenciamento da Freeport em Alcochete. O Ministério Público, durante sete anos, andou a julgá-lo na praça pública, com manchetes e notícias falsas. Depois o processo foi arquivado sem que alguma vez tivesse sido acusado nem constituído arguido. O mesmo Ministério Público quer fazer o mesmo a cidadãos angolanos e todos os titulares dos órgãos de soberania de Portugal consentem isso. Usando os impérios mediáticos que sobreviveram aos diamantes de sangue de Jonas Savimbi, os Procuradores vão julgando honrados cidadãos angolanos na praça pública e os comentadores dizem que querem vingança com um 'Angolagate à Portuguesa'».