Israel aceita um cessar-fogo unilateral de 12 horas em Gaza, no sábado de manhã, disse esta sexta-feira um responsável norte-americano citado pela France Press.

«Israel aceitou cumprir um cessar fogo unilateral de 12 horas em Gaza a partir das 07:00 (04:00 em Lisboa)» disse o responsável norte-americano que acompanhou o secretário de Estado John Kerry ao Cairo.

O secretário de Estado norte-americano abandono a capital do Egito sem ter conseguido tréguas mais prolongadas entre Israel e o Hamas, tal como já foi noticiado esta noite pela estação pública israelita.

Israel rejeitou a proposta de cessar-fogo do secretário de Estado norte-americano, anunciou hoje a televisão pública israelita, reduzindo a esperança de uma «trégua humanitária» na Faixa de Gaza, onde os combates já fizeram cerca de 900 mortos.

O fracasso em conseguir um cessar-fogo foi confirmado no Cairo por John Kerry, que apelou, com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e o chefe da diplomacia egípcia, Sameh Shukri, a uma «trégua humanitária» durante sete dias.

Kerry informou que vai viajar para Paris, onde se vai reunir com os ministros dos Negócios Estrangeiros do Qatar e da Turquia, apoiantes do Hamas, e diplomatas de relevo da França e do Reino Unido.

As discussões no gabinete de segurança israelita devem continuar, mas o canal televisivo adiantou que já tinha decidido rejeitar «por unanimidade» qualquer retirada dos seus soldados da Faixa de Gaza durante uma trégua, durante a qual deveriam começar negociações.

Os militares israelitas estão no território palestiniano desde 17 de julho, com a missão de destruir os «túneis de ataque» e o arsenal do movimento islamita palestiniano Hamas, em particular os foguetes que disparam para território israelita.

O anúncio da televisão israelita acontece quando parecia crescer a esperança de as armas se calarem.

A resposta do Hamas, que rejeitou na semana passada um primeiro projeto egípcio de tréguas, também não estava garantida, apesar de um dirigente turco ter dito que as discussões progrediam «na boa direção».

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco reuniu-se entretanto, na capital do Qatar, Doha, com o chefe do Hamas, Khaled Mechaal, cujo movimento controla a Faixa de Gaza, que coloca como condição de uma trégua o levantamento do bloqueio que asfixia o enclave palestiniano desde 2006.

Entretato, a violência continua na Faixa de Gaza, onde, segundo um balanço dos serviço de socorro locais, já foram mortos 848 palestinianos, dos quais «pelo menos 192 crianças», segundo a Unicef, e feridos outros 5.500, nos 18 dias passados desde o início da ofensiva israelita.

Israel garantiu ter morto 240 combatentes do Hamas e anunciou hoje a morte de mais dois dos seus soldados, o que eleva as suas perdas mortais para 35, o balanço mais pesado depois da guerra de 2006 contra o movimento xiita libanês Hezbollah, cujo chefe, Hassan Nasrallah, apelou hoje aos árabes e muçulmanos para que armem a «resistência» palestiniana na Faixa de Gaza.

Israel enfrenta críticas crescentes pelas baixas civis que está a causar, em particular das crianças.

Um dia depois do drama vivida numa das escolas da ONU, em que um ataque israelita matou 15 palestinianos, a agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNWRA, na sigla em Inglês) alertou para a situação humanitária no território.

A UNWRA informou que «o número de pessoas deslocadas em Gaza é o triplo do conflito de 2008/09» e o seu porta-voz, Chris Gunness, avançou que mais de 160 refugiados estavam em 83 abrigos, o que representa cerca de 10% da população, como cita a Lusa.