Numa fase em que o segundo mandato de Obama se encontra num impasse político, os dois campos partidários começam a contar espingardas para as presidenciais de 2016.

Antes de lançarmos os principais candidatos, é fundamental elencar os fatores que irão determinar tudo o resto. O primeiro tem a ver com a herança política que Obama vai deixar.

Para o nomeado democrata, carregar essa herança será bom ou mau? Interessa-lhe assumir os créditos dos dois mandatos de Obama?

Nada melhor do que compararmos com o passado recente. Em 2000, Al Gore sabia que teria vantagem em assumir a herança Clinton. Em contraponto, oito anos depois, John McCain fez de tudo para evitar ser considerado um «continuador de George W. Bush».

Com apenas meio ano de segundo mandato, é cedo para saber que efeito eleitoral terá a «herança Obama» em 2016.

O que, do lado democrata, é já claro é que existe um ás de trunfo que marcará a corrida: Hillary Clinton. Todas as sondagens exibem uma evidência: se ela avançar, será a nomeada, tamanha é a vantagem que detém sobre os restantes pretendentes democratas.

Subsistem dúvidas sobre se a secretária de Estado do primeiro mandato de Obama vá avançar. Por enquanto, Hillary não dá qualquer sinal que o tenciona fazer, apesar de receber quase diariamente apelos para se candidatar.

Há, até, em Washington um grupo independente que está já a organizar-se com um slôgan já escolhido: «I'me ready for Hillary 2016!»

E se Hillary não avançar? Os democratas têm três alternativas na manga: Andrew Cuomo, filho de Mario Cuomo, e tal como foi o pai, é governador do estado de Nova Iorque; Joe Biden, que apesar da idade avançada, mostra vigor para tentar uma terceira candidatura; Martin O'Malley, o telegénico governador do Maryland, com forte apoio nas bases democratas mas uma imagem de moderado.

Entre estas três alternativas democratas a Hillary, Andrew Cuomo mostra-se o mais credível para a nomeação. Biden está demasiado dependente do que vier a ser a «herança Obama» (foi sempre o número dois de Barack na Casa Branca) e O'Malley não tem ainda notoriedade suficiente a nível nacional.

Mas o que parece preocupante no jogo democrata para 2016 tem a ver com o excessivo favoritismo de Hillary: todas as sondagens mostram que a antiga senadora por Nova Iorque vence os eventuais opositores republicanos. Mas também mostram que algum democrata que não seja Hillary perde para qualquer opositor republicano.

E que opositor poderá ser? Há hipóteses interessantes a considerar do lado do GOP.

Os últimos meses mostraram que o mais normal seria assistirmos a um duelo entre Marco Rubio (senador da Florida, bem visto em setores do «Tea Party» mas com penetração em minorias) e Chris Christie (o popular e politicamente incorreto governador da Nova Jérsia).

Em duelo estariam duas personalidades completamente diferentes (Rubio certinho, Christie truculento). Mas convém não menosprezar as hipóteses de Rand Paul.

O senador pelo Kentucky chega bem mais aos corações da «real America» e consegue ser politicamente mais pragmático que o seu pai, Ron Paul (que embora tenha seguidores fiéis, nunca conseguiu descolar-se do rótulo de «outsider»).

Não por acaso, Rand Paul foi o primeiro a assumir que tenciona ser candidato e que deverá formalizar a candidatura logo após as «midterms» de 2014. No Iowa e no New Hampshire, Paul está à frente. Desvalorizar esse sinal seria imprudente.

Há ainda Paul Ryan, que tinha tudo para ser o futuro campeão do conservadorismo fiscal, mas que saiu chamuscado do fracasso Romney-2008.

Só depois das eleições intercalares de 2014 haverá dados mais concretos para se perceber que corrida teremos em 2016. Mas as primeiras apostas já começaram a ser feitos. E isso é um dos segredos da incrível força do processo eleitoral na América.

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue Casa Branca