Nas primeiras semanas de janeiro, a TIME colocava como tema de capa a pergunta: «poderá alguém parar Hillary?».

Nesta fase de primeiras movimentações para a corrida às nomeações partidárias para as presidenciais de 2016, será mesmo essa a pergunta a dominar os espíritos dos republicanos.

Reince Priebus, «chairman» do Comité Nacional Republicano, abriu hostilidades em declaração na passada segunda-feira: «Quando chegar a altura certa, teremos um camião de argumentos a utilizar contra Hillary», garantiu esta espécie de líder informar do partido.

Priebus não especificou, mas, tendo em conta o discurso dos republicanos nos últimos anos (sobretudo durante a fase de Hillary como secretária de Estado na primeira Administração Obama) estaria a referir-se ao «caso Bengazhi» e, eventualmente, também aos argumentos pró-Reforma da Saúde que a mais que provável nomeada presidencial democrata para 2016 teve enquanto candidata nas primárias de 2008.

Até há cerca de um mês, Chris Christie, o rotundo governador da Nova Jérsia, era apontado pelo «mainstream media» como o republicano mais bem colocado para desafiar Hillary: mesmo não recolhendo os favores da Direita mais radical, as suas credenciais eleitorais num estado tão «liberal» como a Nova Jérsia apontava-lhe boas condições para disputar com Hillary as batalhas decisivas da eleição geral.

Mas o caso da «George Washington Bridge» enfraqueceu mesmo «big Chris»: «Depois desse caso, a porta ficou aberta para aquele que poderá vir a ser o maior leque de potenciais candidatos do campo republicano. E essa porta, já sendo larga, pode vir a ser ainda maior», observa Rick Wilson, estratega republicano, em artigo publicado no «Politico Magazine».

O «caso da ponte» tem abalado a aura vencedora de Christie, mas a verdade é que, na política americana, o tempo tem uma capacidade curativa maior do que parece.

A quase dois anos do arranque das primárias, Chris tem ainda uma margem muito significativa para recuperar do choque político.

Maior duelo do que Hillary/Christie, seria um embate entre a antiga Primeira Dama e Jeb Bush, ex-governador da Florida, filho e irmão de antigos presidentes.

Numa direita dividida entre moderados e clássicos calados pelo furor do Tea Party durante os anos Obama, muito vêem em Jeb Bush a solução mais sólida para 2016.

O saldo político do seu governo na Flórida dá-lhe boas credenciais: trabalhou com democratas em temas como a educação e mostra ter uma abordagem político mais consensual do que teve o irmão George W quando foi governador do Texas e, sobretudo, quando foi Presidente.

Clinton contra Bush? Já vimos isso em 1992 e um jovem governador do Arkansas conseguiu bater o Presidente em funções, um experiente George Bush pai que acabara de ganhar a primeira guerra do Golfo, mas corria à reeleição com um historial económico pericilitante.

Ainda antes da oficialização das candidaturas, mas já com alguns números e tendências a serem estudadas, Christie e Bush parecem ser os pretendentes mais credíveis para conseguirem bater a «superestrela» Hillary Clinton.

Mas há muitas outras hipóteses a considerar: se os republicanos quiserem assumir a rutura geracional (em 2008 nomearam o septuagenário John McCain, em 2012 o sexagenário Mitt Romney), podem virar-se para Marco Rubio (41 anos, senador da Florida), Rand Paul (senador do Kentucky, filho de Ron Paul, que tem uma base de apoio muito mobilizada) ou Scott Walker (governador do Wisconsin).

A direita «Tea Party» pode tentar impor Ted Cruz (senador do Texas) ou Sarah Palin (antiga governadora do Alaska), mas são apenas nomes para baralhar a corrida, não terão hipóteses de nomeação.

E, é claro, há Paul Ryan. Candidato a vice no ticket de Mitt Romney em 2012, o líder do Comité de Orçamento do Congresso, eleito pelo Wisconsin, aparece a liderar a corrida em sondagem ABC/Washington Post e tem dado mostras de moderar discurso que foi excessivamente conservador durante a campanha de 2012.