O ex-magnata russo e opositor do Kremlin, Mikhail Khodorkovsky, afirmou este domingo que muitas pessoas estão «injustamente» detidas em cadeias russas, como cita a Reuters.

Numa conferência de imprensa, o magnata agradeceu a Angela Merkel o apoio.

O ex-prisioneiro pretende ficar afastado da política e que só regressará à Rússia se tiver a certeza que pode sair novamente.

O antigo dono da petrolífera russa Yukos foi libertado de uma cadeia na sexta-feira com uma amnistia do Presidente da Rússia, após mais de uma década preso por crimes económicos, e transportado para Berlim, onde se encontrou com a sua família.

«Escrevi nas minhas notas o que tenho dito repetidamente em publicamente: eu não vou entrar na política e não vou lutar para que me devolvam os ativos da Yukos», disse à revista russa «The New Times», conotada com a oposição ao regime liderado por Vladimir Putin, acrescenta a Lusa.

Khodorkovsky disse que a sua libertação parecia um filme do KGBO magnata russo reencontrou os pais e a família após dez anos de cativeiro.

Em Berlim, para onde viajou após o indulto concedido pelo presidente russo, Mikhail Khodorkovsky concedeu a sua primeira entrevista.

Ao «The New Times», uma revista russa, khodorkovsky explicou que nunca perdeu a ligação com a família.

«Antes de mais, naturalmente, ao longo destes anos, tive a oportunidade (três dias por trimestre ao longo de quatro anos dos dez) de passar as noites num quarto de visitas, quando tive visitantes».

Khodorkovsky disse que a sua libertação, não obedece a quaisquer condições. Mas na carta que dirigiu a Putin diz não ter a intenção de voltar à política, nem de recuperar a sua antiga empresa, a Yukos.

Os últimos dias foram particularmente intensos.Pela primeira vez após dez anos nas prisões russas, Khodorkovsky reuniu a família.

«A minha família está finalmente reunida e estamos muito, muito felizes por estarmos juntos após os dez anos de separação. Como podem imaginar, o meu pai está a passar por muita coisa agora, e ele não pode estar hoje com todos vocês», disse o filho.

Emoções não faltam ao que foi o homem mais rico da Rússia.

Mikhail Khodorkovsky saiu sábado do hotel ao encontro da mãe de 79 anos, que tem recebido tratamento a um cancro na Alemanha. Um abraço longo como o tempo passado em cativeiro.

Já este domingo, Khodorkovsky, no passado um dos maiores críticos do presidente Putin, reafirmou que o Kremlin não o quer na Rússia e que a sua libertação sem testemunhas, longe das câmaras, obedeceu a toda uma encenação que não envergonharia o exílio de um dissidente feito pelo KGB, a temida polícia secreta da ditadura da união soviética.