Os Estados Unidos começaram a armar os curdos do Iraque para travar o avanço dos jihadistas do Estado Islâmico, segundo fontes ouvidas pela Associated Press.

Inicialmente, o presidente norte-americano, Barack Obama, tinha dito que apenas iria fornecer armamento ao governo iraquiano, mas voltou atrás na decisão perante o avanço dos extremistas.

Militantes do Estado Islâmico (EI) tomaram esta segunda-feira a cidade de Jalawla, no nordeste do país, a 130 quilómetros de Bagdade, após dois dias de combates com forças de segurança curdas «peshmergas».

Um oficial da polícia afirmou que a cidade se encontra sobre controlo dos jihadistas «desde segunda de manhã» e duas outras fontes das forças de segurança precisaram que os combates que se deram sobre a cidade resultaram em 10 mortos e cerca de 80 feridos nas forças curdas «peshmergas».

Este avanço do EI dá-se após um oficial do departamento de estado dos EUA afirmar que as forças curdas do Iraque estão «a ser armadas por várias fontes» na luta contra os extremistas, não dando os nomes dos países que fornecem as armas. O oficial acrescentou ainda que «eles irão receber algo rapidamente», devido aos avanços do EI na região.

Estes comentários aconteceram após a chegada do secretário de estado dos EUA, John Kerry, à Austrália no domingo para discussões militares anuais com o país.

Confrontado com a possibilidade de os EUA estarem a fornecer armamento aos curdos, a fonte apenas disse: «Não posso falar sobre isso», adicionando que «existem várias negociações entre vários países».

No domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, afirmou que, após uma consulta com os seus parceiros dos EUA, Paris estava a ponderar fornecer armamento às forças de segurança curdas.

«De uma maneira ou de outra eles têm que receber, de uma forma segura, equipamento que lhes permita defenderem-se e contra-atacar» afirmou Fabius à estação televisiva francesa France 2 em Arbil, a capital do Curdistão, a região autónoma curda no norte do Iraque, adicionando: «Iremos debruçar-nos sobre este tema nos próximos dias em comunicação com o resto da Europa».

A França e o Reino Unido afirmaram apoiar uma operação liderada pelos EUA de modo a poder ajudar os civis iraquianos, muitos dos quais pertencem à minoria Yazidi, membros de uma antiga religião curda, que é perseguida pelos extremistas do EI.

Enquanto estes três países ocidentais fornecem apoio de emergência aos civis iraquianos, os EUA têm realizado ataques aéreos em conhecidas posições do EI.

Kerry apoiou esta segunda-feira o novo presidente iraquiano, Fuad Masum, um político de origem curda, e afirmou ajudar o país na luta contra os militantes extremistas enquanto aconselhou o primeiro-ministro, Nuri al-Maliki, a não criar novos problemas.

Muitos iraquianos vêm Maliki como sendo parcialmente responsável pelo recente conflito no norte do país, afirmando que ele institucionalizou o sectarismo.