Os hábitos de sono dos condutores europeus vão ser estudados num inquérito que abrange Portugal, associado a uma campanha de alerta para o perigo da sonolência, quando se conduz um veículo, disse hoje a coordenadora do projeto.

O projeto europeu, uma iniciativa da Sociedade Europeia do Sono, integra a realização do inquérito, uma campanha de sensibilização e um seminário, a ter lugar em Bruxelas, para chamar a atenção dos responsáveis políticos sobre o problema dos acidentes rodoviários causados pelo sono.

«A campanha europeia inicia-se em outubro, no Porto, acaba em Bruxelas, envolve 15 países, e o estudo pan europeu tem 20 perguntas sobre hábitos de sono e caracterização dos acidentes por sonolência», contando com a participação de 18 países, explicou à agência Lusa Marta Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Sono e coordenadora do projeto, juntamente com um italiano e um sueco.

O inquérito é lançado na quinta-feira, em Portugal, e todos os condutores portugueses são convidados a responder através de um acesso online.

Não existem muitos dados sobre as situações de sono ao volante, os acidentes que provocam e as mortes que causam, mas «estatísticas internacionais apontam para que 20% dos acidentes tenham a sonolência por trás».

Um estudo de 2011, feito pela Associação Portuguesa de Sono, «revela que 0,67% dos condutores portugueses tinham tido acidentes [por adormecimento] o que, atendendo ao número da população que é condutora, dará um valor de cerca de 47 mil acidentes, por adormecer ao volante», lembrou a presidente da Associação Portuguesa de Sono.

«Vamos comparar neste estudo europeu como estão os vários países em ternos de sono ao volante e acidentes por sonolência», apontou, acrescentando que o trabalho é muito focado nestes acidentes e na caracterização das pessoas que adormeceram ao volante e tiveram desastres, em consequência disso.

A especialista disse que, normalmente, os acidentes por sonolência, «como não há defesa do condutor, têm uma alta mortalidade e o conduzir sonolento tem mais riscos de erros ao volante, mesmo antes de adormecer».

A principal causa de sonolência ao volante é a privação de sono, mas a medicação sedativa também pode contribuir, assim como algumas patologias de sono que condicionem a sonolência durante o dia.

Sinais como bocejar, os olhos a arder ou dificuldade em mantê-los abertos, ver desfocado ou ter falhas de atenção devem servir de alerta para quem está a conduzir um automóvel.

«Os condutores profissionais são um grupo de risco porque têm períodos prolongados de condução, percorrem distâncias longas, a maior parte em autoestrada, o que é monótono e leva a mais sonolência, e conduzem frequentemente durante a noite, [o que] aumenta o risco de acidente em cinco a seis vezes», acrescentou Marta Gonçalves.