Pedro J. Ramirez, diretor do jornal espanhol «El Mundo» desde a sua fundação, abandona o cargo ao fim de 25 anos. A sua última edição vai para as bancas no domingo, mas as despedidas à redação tiveram lugar na quinta-feira.

Um vídeo feito no meio da redação e em mangas de camisa que mostra um (ainda) diretor infeliz e sem lágrimas, apesar de emocionado.

Pedro J. Ramírez começa por apresentar as capas mais emblemáticas de 25 anos de jornal, em que ele esteve à frente dos destinos daquela redação. Como diretor e até como repórter, como no caso «Barcenas», em que a entrevista foi conduzida por ele na «maldita hora em que resolveu voltar a ser repórter por uma manhã».

Por esta altura, Ramírez já tinha arrancado palmas e risos aos colegas.

E foi neste tom que seguiu em frente, recordando o passado e projetando o futuro. «A tábua de salvação [de um meio de comunicação] é conseguir que 50 por cento do seu público seja online».

O conselho de administração decidiu «que estava na hora de se inciar uma nova etapa» e passou o comando do jornal para o vice-diretor. Uma medida que o «El País», principal concorrente, classificou como «a crise no diário forçou a saída de Pedro J. Ramírez».

Ramírez sai aparentemente com um sorriso nos lábios e não definitivamente da publicação onde vai continuar como colaborador, segundo o comunicado. Na verdade, e apesar dos agradecimentos públicos da administração ao jornalista, ele não deixa de expressar alguma amargura, ao afirmar que «comunicaram-me que tinha sido destituído» e que não se importaria de continuar diretor para sempre, mas «o diário não é do diretor, é dos acionistas».

Afinal, diz Pedro J. Ramírez, «o jornalismo, muitas vezes, implica não apenas exercer jornalismo, não desempenhar uma profissão, mas sim elegê-lo como um modo de vida. Um fim em si mesmo».

Num gesto simbólico, Ramírez tirou o relógio antigo do bolso e colocou-o no pulso.E, assim «já que não posso ser diretor do jornal até ao último dia da minha vida, vou usar este relógio até ao último dia da minha vida». Já o seu atual relógio, entregou-o a uma colaboradora com «a obrigação de que estes dois relógios não se parem e os dois marquem sempre a mesma hora».

O futuro logo se vê. Agora já pode ir comer ao restaurante descansado sem ser «pressionado».