Notícia atualizada às 19:42

O Egito declarou hoje estado de emergência durante um mês em resposta à violência que alastra pelo país depois da repressão de manifestações de apoio ao presidente deposto Mohamed Morsi.

O estado de emergência, imposto em todo o território, entrou em vigor às 16:00 horas (15:00 horas em Lisboa), anunciou a presidência egípcia num comunicado transmitido pela televisão estatal. As autoridades impuseram ainda um recolher obrigatório entre as 19:00 e as 6:00, nas principais cidades do país.

A polícia egípcia dispersou hoje, com recurso à violência, apoiantes do ex-presidente Mohamed Morsi, deposto pelos militares no início de julho. Nas redes sociais circularam imagens da violência.

A vaga de violência fez 149 mortos em todo o país, segundo um novo balanço oficial.

Um porta-voz do Ministério da Saúde egípcio, Mohamed Fathala, afirmou, em declarações à agência estatal egípcia Mena, que os confrontos registados em várias províncias do país também fizeram pelo menos 1.403 feridos.

O representante indicou que só no Cairo foram verificadas pelo menos 49 vítimas mortais.

Mas os números indicados por outras fontes no terreno revelam um cenário mais dramático.

Na praça Rabaa al-Adawiya, um jornalista da agência France Press relata que contou 124 cadáveres nas três morgues improvisadas no local.

Entretanto chegou a confirmação oficial de que um operador de câmara da estação Sky News foi morto a tiro no Cairo, anunciou a cadeia britânica.

«O operador de câmara da Sky News Mick Deane foi morto a tiro no Egito esta manhã», informou a Sky News, acrescentando que Deane, de 61 anos e pai de duas crianças, «trabalhava há 15 anos» para a televisão britânica.

O vice-presidente egípcio Mohamed El Baradei, com a tutela das relações exteriores, apresentou a sua demissão na sequência destes acontecimentos.

O embaixador de Portugal no Egito disse à Lusa que está em contacto com os portugueses que se encontram no país e que «não está em causa a integridade física» de qualquer cidadão nacional.

«Posso dizer que estamos em contacto com todos. Sabemos onde estão e sabemos como estão. Avisamo-los para não saírem hoje de casa e não há nenhum caso em que esteja em causa a integridade física de ninguém», disse Tânger Correia.

O atual clima de tensão no Egito iniciou-se a 30 de junho, quando diversos setores da oposição promoveram grandes protestos exigindo a deposição de Morsi, eleito em junho de 2012 nas primeiras eleições livres no país.

Em 03 de julho, o Presidente foi deposto e detido pelos militares, tendo sido formado um Governo de transição, entre os protestos das correntes islamitas que exigem o seu regresso ao poder.

Após o falhanço das tentativas de mediação internacionais, o Governo interino nomeado pelo exército anunciou que, terminado o período do Ramadão, no passado fim de semana, iria acabar com as manifestações pró-Morsi, operação que iniciou esta quarta-feira.