Notícia atualizada às 12:44

Durão Barroso foi recebido em Lampedusa esta quarta-feira com insultos e gritos de «assassino».

Segundo relata a agência ANSA, o presidente da Comissão Europeia chegou à ilha acompanhado do primeiro-ministro italiano, Enrico Letta.

Os manifestantes que se encontravam no aeroporto gritavam «Vergonha» e «Vão ao centro de refugiados. Vejam como vivem estas pessoas. Assassinos!».

Barroso e Letta seguiram para uma homenagem às centenas de vítimas mortais do naufrágio ocorrido na semana passada.

O primeiro-ministro italiano anunciou que haverá uma «discussão urgente» na próxima cimeira de líderes da União Europeia, a 24 e 25 de outubro, sobre o êxodo dos imigrantes ilegais, que classificou como «um drama europeu».

Enrico Letta garantiu ainda que este «tema europeu, global» estará no centro da agenda europeia do próximo ano, durante a presidência italiana da UE, no segundo semestre do ano.

A Comissão Europeia pretende iniciar uma missão no Mediterrâneo para dar resposta ao aumento do fluxo de imigração.

Já o Presidente da República, Cavaco Silva, e o seu homólogo italiano, Giorgio Napolitano, apelaram hoje a uma «reflexão séria» dos líderes europeus sobre os acidentes recorrentes em Lampedusa e pediram uma «solução comum» para esta «gravíssima emergência».

«Os acontecimentos mais recentes em Lampedusa devem merecer uma reflexão séria, que deve ser feita a nível europeu e a nível nacional. Devemos melhorar e reforçar a cooperação com os nossos vizinhos do sul para combater esta tragédia humanitária que afeta todos os países europeus», afirmou Aníbal Cavaco Silva, na conferência de imprensa de encerramento do Grupo de Arraiolos, em Cracóvia, ao lado dos outros sete presidentes participantes.

Perante os seus homólogos, Cavaco considerou que a Europa deve refletir seriamente sobre este problema humanitário, melhorar os instrumentos de salvamento e reforçar a cooperação com os países daquela zona do Mediterrâneo.

Na conferência de imprensa, logo após a intervenção do presidente português, o chefe de Estado italiano, Giorgio Napolitano, advertiu que esta é «uma tragédia europeia» que deve ter «uma solução comum».

«Esta gravíssima emergência é um problema de fundo para a segurança da Europa», disse Napolitano.