Notícia atualizada às 9:37

O julgamento contra o antigo dirigente chinês Bo Xilai por corrupção e abuso de poder começou esta quinta-feira no Tribunal Popular Intermédio da cidade de Jinan.

Um forte dispositivo de segurança rodeava o tribunal, tendo sido cortado o acesso às ruas em volta do edifício onde decorre o julgamento do protagonista do maior escândalo político em décadas na China.

O antigo responsável do Partido Comunista Chinês (PCC) na gigante metrópole de Chongging negou ter aceitado subornos do empresário Tang Xiaolin. Numa nota do tribunal colocada no Weibo (conhecido como o Twitter chinês), Bo Xilai sustenta que se tinha declarado anteriormente culpado desse crime «sem querer».

«Não é correto que Tang me tenha dado dinheiro em três ocasiões» como está sustentado na acusação, assinalou.

Na declaração, Bo Xilai garante ter «admitido sem querer a acusação de ter aceitado dinheiro em três ocasiões no processo de investigação aberto pelo Comité de Disciplina Interna do Partido» Comunista após a sua queda em desgraça.

«Disse que queria assumir a responsabilidade legal, mas na altura a minha mente estava em branco e desconhecia os detalhes», explicou.

No texto, Bo Xilai manifesta também esperança de que os juízes possam «proceder a um julgamento razoável e justo e sigam os procedimentos legais do país».

Apesar de não ter sido permitida a presença em tribunal da imprensa estrangeira, as imagens difundidas mostram Bo Xilai vestido com uma camisa branca e calças escuras, um homem mais magro e com um ar cansado.

O ex-dirigente vai responder na justiça pelo desvio de 25 milhões de yuan (três milhões de euros) e por entrave ao inquérito criminal da mulher (acusada do homicídio de um britânico, crime na base de um escândalo que abalou o Partido Comunista Chinês), segundo a revista económica Caijing, uma das publicações mais respeitadas na China.

O julgamento, presidido pelo juiz Wang Xuguang, deverá prolongar-se por dois dias, mas o veredicto não será conhecido antes de setembro, segundo a televisão estatal CCTV.

O caso Bo Xilai foi despoletado em fevereiro de 2012 quando Wang Lijun, um braço direito do antigo dirigente, pediu asilo político num consulado norte-americano onde admitiu o seu envolvimento no homicídio do empresário britânico Neil Heywood às ordens da mulher de Bo Xilai.

As acusações remontam à década de 1990, quando Bo Xilai dirigia a cidade de Dalian. Só depois assumiu uma posição de destaque na hierarquia do PCC em Chongging.

Bo Xilai foi demitido das funções devido à implicação da mulher no homicídio.

O antigo dirigente deverá ser condenado. Na China, os tribunais funcionam sob o controlo direto do PCC, no poder, e os juízes não contestam as acusações formuladas pelo partido único.