O exército brasileiro controlou cuidadosamente as manifestações ocorridas no país em junho através de uma técnica de espionagem. O mecanismo é semelhante ao usado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América (NSA). Trata-se de um software produzido no Brasil para uso do Centro de Defesa Cibernética.

O programa informático funciona mediante a filtragem de informações publicadas nas redes sociais, permitindo a identificação dos manifestantes que assumem os comandos dos protestos.

Os dados obtidos são enviados à Polícia Federal e às Secretarias de Segurança Pública, referiu o general José Carlos dos Santos, chefe do Centro de Defesa Cibernética, à «Globo».

De acordo com o general, a monotorização do Exército é legal uma vez que se baseia em depoimentos manifestados publicamente.

Este controlo é essencial uma vez que se trata de questões de segurança nacional, esclarece Santos.

Do Centro, o general comandou um grupo de 50 militares responsáveis por identificar eventuais líderes dos protestos ocorridos em junho, pontos de conflito e atos de vandalismo. Outros 24 militares participaram na monotorização dos protestos da Taça das Confederações.

Sabe-se que filtros produzidos pelo programa informático puderam identificar os promotores das manifestações e as ações policiais foram justificadas por isso.

De acordo com a «Globo», novas manifestações poderão ser controladas pelo Centro de Defesa Cibernética do Exército.

Já estão a ser programadas monitorizações para as Jornadas Mundiais da Juventude e o Mundial de Futebol de 2014.