O ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden disse que aceitaria asilo no Brasil, mas sem a condição de fornecer informações sobre o programa de espionagem norte-americano, segundo a estação de televisão brasileira Globo.

«Se o Governo brasileiro quiser defender os direitos humanos, será uma honra para mim fazer parte disso», disse Snowden, numa entrevista emitida no domingo pela Globo.

«Jamais trocaria informação em troca de asilo», afirmou. O ex-analista da NSA referiu também que isso não seria do interesse de Brasília.

Na entrevista, Snowden elogiou o Brasil como «uma das mais interessantes e vibrantes democracias do mundo».

A Globo obteve as declarações do antigo analista da NSA através de correio eletrónico e por intermédio do seu advogado em Nova Iorque.

O ex-consultor da NSA tinha pedido asilo em julho a vários países, incluindo o Brasil, e em agosto obteve asilo temporário por um ano na Rússia, onde vive em local não revelado.

O diário brasileiro «Folha de São Paulo» publicou na terça-feira passada uma «carta aberta para o povo brasileiro» de Snowden, na qual dizia estar pronto para ajudar a investigação do Senado brasileiro sobre a espionagem dos EUA ao Brasil.

Na carta aberta, Snowden anunciou a intenção de pedir asilo permanente ao Brasil, país que lidera diversas iniciativas globais para regular a espionagem através de internet, depois da divulgação dos documentos da NSA que revelaram que os EUA espiaram as comunicações da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, de vários dos seus ministros e dirigentes da empresa pública petrolífera, Petrobras.

A imprensa brasileira informou no domingo que Dilma Rousseff disse que Snowden nunca fez um pedido formal de asilo no Brasil.

No Brasil, a concessão do asilo é uma prerrogativa do poder executivo, decidida pela Presidente, a partir das avaliações dos ministérios das Relações Externas e da Justiça.

Edward Snowden enfrenta acusações de espionagem nos EUA.