O regresso dos voos da TAP é o remédio aguardado na Guiné-Bissau para acabar com diversos problemas criados com o fim da única ligação aérea direta para a Europa, disseram diversos residentes na capital do país à agência Lusa.

Os governos português e guineense assinam na segunda-feira, em Lisboa, um acordo para restabelecer condições de segurança no aeroporto de Bissau - depois de a tripulação da TAP ter sido obrigada em dezembro pelas autoridades a transportar 74 passageiros ilegais para Portugal, incidente que levou à suspensão da rota.

Desde então é mais complicado encontrar lugar em voos alternativos (sempre com uma escala, no mínimo) para doentes que frequentemente procuram tratamento em Portugal, exemplifica Conduto de Pina, proprietário de uma agência de viagens.

«Temos doentes e outros grupos que têm dificuldade em chegar a Lisboa com urgência» ou a tempo de compromissos, referiu na sexta-feira à agência Lusa, enquanto tentava encontrar solução para levar um grupo de 45 escuteiros para Portugal.

O fim da rota teve impacto nos mais diversos serviços: deixou de haver correio para fora da Guiné-Bissau (a não ser por empresas especializadas a preços mais elevados) e o transporte de pequenas mercadorias e até a mala diplomática sofrem com demoras e custos acrescidos.

«É muito bom que a TAP regresse, em especial para o comércio», refere Mário Mendonça, funcionário público, que também se queixa de obstáculos acrescidos para viajar e não só para a Europa.

No seu caso, as dificuldades surgiram «sobretudo no tempo que demorei e nas ligações necessárias para chegar a Angola».

«A Guiné é um país pobre e isto não pode acontecer», defende Canjura Injai, empresário, que espera que a TAP regresse e não volte a deixar de voar para o país.

«Antes, em três horas e 45 minutos estávamos a sobrevoar o Algarve, agora, por outros caminhos, chegamos a demorar 10 horas. É tempo demais, sobretudo para quem está doente», referiu.

Wilson Barbosa, dirigente da Associação dos Portugueses na Guiné-Bissau (APGB), destaca o facto de ser «tomada uma posição política clara e esperada por portugueses e guineenses» com a assinatura do protocolo na segunda-feira.

«Só resta esperar que o regresso dos voos aconteça tão breve quanto possível», porque «vai desbloquear uma série de constrangimentos», sublinhou.

Conduto de Pina, face às queixas que recebia na sua agência de viagens, pede também que a TAP melhore o serviço prestado nos voos para a Guiné-Bissau e baixe o preço dos bilhetes.

«Recebíamos queixas, que nunca se resolveram, sobre o serviço de refeições, as cadeiras, o custo e até o tratamento dado aos passageiros, tanto aqui em Bissau como em Lisboa», sublinhou.

O empresário acredita que o serviço poderia melhorar se acabasse a exclusividade da transportadora para os voos diretos entre a Guiné-Bissau e Portugal.

«A TAP tem que aceitar a concorrência, tal como noutros destinos», concluiu.