Luis Bárcenas afirmou nesta segunda-feira ter feito entregas em dinheiro a Mariano Rajoy tendo o ex-tesoureiro do PP assumido também a autoria da documentação manuscrita que indica a existência de contabilidade paralela no agora partido do governo de Espanha.

«A Rajoy e a Cospedal fiz entregas em dinheiro em 2009 e 2010», refere o jornal «El País» citando uma das afirmações que Bárcenas terá feito na audiência desta segunda-feira. A saída para fora do tribunal do que o ex-tesoureiro do PP estava a dizer em audiência levou o juiz Pablo Ruz a suspender por minutos a sessão, como referiu o «El Mundo».

Já após a audiência de quatro horas em que Bárcenas esteve a responder, ficou a saber-se que o ex-tesoureiros referiu-se apenas àqueles dois anos [e não também a 2008 como inicialmente noticiado] e que as somas do dinheiro envolvido em pagamentos em 2009 e 2010 está na ordem dos 90 mil euros a dividir pelos dois citados.

O atual líder do PP e primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, é um dos nomes que constam na documentação manuscrita que indica a existência de pagamentos ao PP por parte de empresários (entradas) e pagamentos regulares (saídas) a membros da cúpula do partido. Rajoy é visado no período em que era vice-secretário-geral.

Maria Dolores de Cospedal, nesta segunda-feira também referida por Bárcenas, é a secretária-geral do Partido Popular espanhol e, além de outros cargos, é atualmente presidente da Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha.

São vários os dirigentes de topo do PP visados nesta investigação sobre pagamentos ilegais desencadeada pelo jornal «El País» em janeiro com a divulgação de documentos manuscritos que descreviam essa contabilidade paralela.

Luis Bárcenas negou sempre a autoria dessa documentação. Até esta segunda-feira. O tesoureiro do PP durante duas décadas assumiu hoje, como contam os jornais espanhóis, ser o autor da «contabilidade B» do partido e entregou ao tribunal vária documentação, quer em papel quer em suporte informático - que, no relato dos periódicos, é comprometedora para o PP.

Mariano Rajoy reagiu entretanto à polémica.

[artigo atualizado às 17:11]