Atualizada às 18:10

Somam-se reações ao discurso de Obama sobre o Estado Islâmico (EI). O Presidente norte-americano diz que não hesitará em agir contra os rebeldes, sem enviar mais tropas norte-americanas, mas usando o seu poder aéreo como trunfo. Ingleses e alemães estão contra uma intervenção aérea. Síria e Rússia avisam que isso seria «um ato de agressão».

Embora o Reino Unido apoie «totalmente» a abordagem dos EUA no sentido de criar uma coligação internacional contra a barbárie do EI, ataques aéreos são outra conversa: «Deixe-me ser claro: a Grã-Bretanha não vai participar de nenhum ataque aéreo na Síria. Já tivemos essa discussão no nosso parlamento no ano passado e não iremos alterar essa posição», frisou à Reuters o ministro inglês das Relações Exteriores, Philip Hammond.

Entretanto, um porta-voz de Cameron veio esclarecer que «o primeiro-ministro não excluiu nada. Esta é a posição oficial. Nenhuma decisão foi tomada».

Da Alemanha, também não há suporte às intenções de Obama: «Para que fique bastante claro, não fomos convidados [a fazer parte dos ataques aéreos], nem vamos fazê-lo», anunciou o homólogo alemão de Hammond, Frank-Walter Steinmeier.

A Síria, claro, tem igualmente uma palavra a dizer. E o tom é de aviso: qualquer intervenção estrangeira no país, «sem a aprovação do governo sírio, é uma agressão contra a Síria», salientou aos jornalistas, em Damasco, o ministro dos Assuntos de Reconciliação Nacional. Ali Haidar acrescentou que deve, sim, existir uma «cooperação e uma coordenação com a Síria», com a «aprovação» do país sobre se a intervenção será ou não militar.

Bashar al Assad classificou, ainda, de «contraditórias» as políticas de Obama. Através da agência estatal de notícias (Sana), o Governo sírio assinala que «a posição moderada, como Obama a descreve, não é mais do que [uma posição] criminosa, como a dos terroristas do EI». Por isso, resume, Washington «mão está a ser sério na luta antiterrorista».

A Rússia, aliada de longa data da Síria, faz, sem surpresas, cara feia às intenções dos EUA. O porta-voz do ministério russo fez questão de lembrar que, «na ausência de uma decisão apropriada do Conselho de Segurança da ONU, tal passo seria um ato de agressão, uma bruta violação das normas da lei internacional». Alexander Lukashevich teme que Washington aproveite a eventual ofensiva contra islâmicos para atacar forças sírias, o que teria «sérias consequências na escalada de tensão» entre os dois países.

Dez países árabes estão com Obama

Já de 10 países árabes, Obama colhe apoios, incluindo da Arábia Saudita.

O acordo para assumir o compromisso internacional ao lado dos EUA foi confirmado por um comunicado divulgado após uma reunião na cidade portuária saudita de Jeddah entre o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e representantes de vários Estados árabes. Estão disponíveis para participar numa «campanha militar coordenada».



Ironicamente, hoje é dia 11 de Setembro. Sempre com maiúscula, porque é a data que os norte-americanos - e o mundo - nunca irão esquecer. Treze anos depois, o medo de um novo ataque é agora maior do que antes.