O líder da Renamo, o principal partido da oposição em Moçambique, Afonso Dhlakama, chegou a Maputo, cinco anos após ter abandonado a capital moçambicana, no quadro da crise política e militar que assolou o país nos últimos tempos.

Com centenas de militantes e simpatizantes da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) à espera durante mais de cinco horas, Dhlakama desembarcou no Aeroporto Internacional de Maputo por volta das 18:20 de Maputo (17:20 de Lisboa) acompanhado por alguns quadros do movimento e por alguns diplomatas estrangeiros acreditados na capital moçambicana, incluindo o embaixador de Portugal em Maputo, José Augusto Duarte.

O líder da Renamo, Afonso Dlhakama, assegurou, no seu reaparecimento público, que a sua ausência, por um ano e meio em parte incerta, serviu para tornar Moçambique mais pacífico e democrático, e rejuvenescer o multipartidarismo.

Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, reapareceu nas matas da serra da Gorongosa, na província de Sofala (centro de Moçambique), e garantiu que vai cumprir o acordo de cessar-fogo.

«A minha ausência foi necessária para repor o multipartidarismo. Vou às eleições para lutar contra a má gestão do país», disse aos jornalistas em Chimoio, a capital de Manica, a cerca de 190 quilómetros a sul de Sadjundjira (Gorongosa), de onde reapareceu esta quinta de manhã.

O embaixador de Portugal em Moçambique, José Augusto Duarte, considerou «fundamental» a garantia de estabilidade dada pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, durante o seu reaparecimento, em cumprimento do acordo de cessar-fogo.

O líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, reapareceu hoje nas matas da serra da Gorongosa, na província de Sofala (centro de Moçambique), e garantiu que vai cumprir o acordo de cessar-fogo.

«A estabilidade é absolutamente fundamental para complementar a confiança dos investidores externos, como para a população moçambicana, que necessita de emprego e desenvolvimento», declarou à Lusa, José Augusto Duarte em Chimoio, Manica, centro de Moçambique, que integrava a delegação dos embaixadores que negociou a viagem do líder da Renamo a Maputo.

Portugal é desde 2008 um dos três principais investidores em Moçambique, sendo de entre os investidores externos, o que mais emprego cria no pais.

Para José Augusto Duarte, o reaparecimento hoje do líder da Renamo demonstra «um passo bem dado» para a paz e estabilidade de Moçambique, que o diplomata considerou necessário para a prosperidade da democracia e de Estado de Direito, e benéfica para o próprio povo moçambicano.

Contudo o embaixador luso em Moçambique afiançou ser necessário aproximar as partes, o Governo e a Renamo, para uma reconciliação para a construção de uma confiança, no sentido do pais avançar, com a convicção de que todos fazem parte dele.

«Os embaixadores foram convidados por Afonso Dhlakama, e vieram com a concordância do Presidente (da República, Armando) Guebuza. Houve pactos de medida de segurança e de construção da confiança, que é necessário reconquistar, para a reconciliação entre todos», disse José Augusto Duarte.

Entretanto o diplomata português, disse esperar que a transmissão de confiança dada por Afonso Dhlakama, também pelo Governo, se traduzam em atos, «com execução da diferença de opiniões na cena democrática e com as leis instituídas».

Uma delegação que integrava os embaixadores de Portugal, Itália, Estados Unidos, Botsuana e a comissária da Grã-Bretanha acompanharam hoje o reaparecimento do líder da Renamo, nas matas da Gorongosa, para um encontro, sexta-feira com o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, como escreve a Lusa.

Cavaco Silva já anunciou que observadores portugueses vão fiscalizar o processo de paz.