É oficial. Os dois partidos da coligação que compõem o governo alemão, liderado por Angela Merkel da CDU, estão perante a sua primeira «zanga».

A ministra da Família, Manuela Schwesig, ligada ao SPD, defendeu numa entrevista na televisão alemã, esta sexta-feira, que a vida de pais com filhos pequenos deve ser facilitada e, por isso, vai apresentar uma proposta para diminuir as horas de trabalho semanal mantendo, no entanto, o valor salarial. A ministra quer passar de 40 para 32 horas o tempo de trabalho de pais com filhos menores de três anos, avança a agência Reuters.

Minutos depois, surgiram as primeiras reações de membros da CDU de Merkel, considerando a proposta «louca». Muitos consideraram que será um «peso para os contribuintes e para a economia». Michael Fuchs, da CDU, por exemplo, afirmou que «gostava de saber de onde viria o dinheiro». Joachim Pfeiffer, outro conservador, diz concordar com a ideia de tornar o trabalho e a vida familiar «mais compatível», mas considera que manter «os salários iguais será um ataque à competitividade da economia do país».

Esta não parece ser uma boa notícia para a indústria alemã, escreve a Reuters, que se tem mostrado preocupada com os planos do governo em introduzir um salário mínimo, em controlar os contratos temporários e em baixar a idade de reforma para algumas profissões.

Recorde-se que Angela Merkel teve, em setembro do ano passado, uma vitória histórica nas eleições alemãs, mas não conseguiu votos suficientes para formar um governo sozinha. Acabou por ser obrigada a fazer uma coligação com o SPD, os seus mais diretos rivais, que só foi alcançada em dezembro, após meses de negociações.

Vários membros do SPD têm dado o exemplo e tirado tempo para estar com a família. Por exemplo, Sigmar Gabriel, líder do partido, recusou passar mais tempo em campanha, alegando que queria estar com a filha pequena. Aliás, Sigmar, atual vice-chanceler e ministro da Economia, tira sempre as quarta-feiras à tarde para ir buscar a filha à creche.

Também um alto representante do SPD a trabalhar no Banco Central Europeu, Joerg Asmussen, demitiu-se do cargo para poder passar mais tempo com a família, em Berlim. Aceitou um cargo, de menor relevo, no Ministério do Trabalho.

A própria ministra da Família reserva as tardes de quarta-feira para estar com o filho. Para justificar a sua proposta, a governante defendeu que a ideia «iria beneficiar a economia», porque «mais pessoas, em especial mulheres qualificadas, ficariam no mercado de trabalho, se sentissem que este era compatível com a família».

Aliás, vários membros dos conservadores da CDU também já mostraram a sua intenção de seguir os mesmo passos que os colegas da coligação.