O deputado brasileiro Eduardo Cunha, que aceitou a denúncia que deu início ao processo de destituição da ex-Presidente Dilma Rousseff, perdeu o mandato na Câmara dos Deputados (câmara baixa) do Brasil na segunda-feira à noite.

A sessão terminou com 450 manifestações a favor da cassação (perda de mandato), 10 votos contra e nove abstenções. A Câmara dos Deputados brasileira é formada por 513 deputados.

Eduardo Cunha foi acusado pelo Conselho de Ética da Câmara de ter mentido quando fez o seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito à Petrobras, no ano passado, ao negar ter contas bancárias no exterior. 

Com o mandato suspenso e afastado de funções pelo Supremo Tribunal Federal desde maio, Eduardo Cunha perde mesmo o mandato e, agora, não poderá voltar à Câmara nos próximos oito anos, devido à Lei da Ficha Limpa.

Eduardo Cunha suspeito de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, acusado de integrar o esquema de corrupção na Petrobras, investigado no âmbito da operação Lava Jato. Terá recebido, pelo menos, cinco milhões de dólares.

Antes de o seu afastamento ser decidido, o brasileiro afirmou no plenário que o processo contra si faz parte de um julgamento político porque aceitou a denúncia contra Dilma Rousseff, que levou à mudança de Governo no Brasil.

Cunha, que presidiu a Câmara entre fevereiro de 2015 e maio de 2016, não só aceitou a denúncia que deu início ao processo de destituição de Dilma, em dezembro de 2015, como foi um dos principais impulsionadores do impeachment nos tempos que se seguiram, incluindo a abertura oficial do processo em abril.