O alto-comissário da ONU para os Refugiados (ACNUR) saudou, esta quinta-feira, o plano franco-britânico de reforço da cooperação bilateral na resposta ao fluxo de migrantes e refugiados que pretende atravessar o canal da Mancha.

"Congratulo-me com o acordo comum entre os dois governos para responder à situação complexa em Calais", no norte de França, disse António Guterres, em comunicado.


"Saúdo em particular as medidas de proteção e humanitárias anunciadas, que reconhecem a importância da luta contra o tráfico de seres humanos e contra a exploração de pessoas vulneráveis", afirmou.

"Neste contexto, é importante notar que para lutar eficazmente contra as redes e os traficantes devemos aumentar o número de recursos legais disponíveis para que as pessoas a necessitar de proteção possam vir para a Europa", acrescentou.


O antigo primeiro-ministro português indicou que "várias pessoas chegadas a Calais vindas do Afeganistão, Eritreia, Somália, Sudão e Síria podem ser escolhidas para receber proteção internacional".

O ACNUR saudou "mais especificamente (...) as medidas propostas para melhorar as condições de vida e de acolhimento na região francesa de Nord-Pas-de-Calais e em outras regiões, bem como os esforços desenvolvidos para responder aos problemas de acesso ao estatuto de refugiado e ao alojamento".

A UE confronta-se com a pior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial.

Os ministros francês e britânico do Interior, Bernard Cazeneuve e Theresa May, encontraram-se hoje em Calais, onde convergem milhares de migrantes de várias nacionalidades que esperam conseguir entrar no Reino Unido, para assinar um acordo de reforço da cooperação bilateral.

O acordo prevê a criação de um "centro de comando e de controlo comum" de luta contra as redes de imigração clandestina.

A segurança no local de acesso ao túnel sob a Mancha será reforçada, com a criação de uma "sala de controlo integrado" e equipas de patrulhamento a operar 24 sobre 24 horas, para impedir qualquer tentativa de intrusão.

De acordo com várias fontes, nove em cada 12 pessoas morreram nas últimas semanas, na região de Calais, quando tentavam subir para os camiões ou comboios que estabelecem a ligação pelo túnel entre França e o Reino Unido.