Uma pequena ilha no Oceano Pacífico foi palco de uma enorme descoberta que pode mudar o futuro da economia mundial, em benefício do Japão. Trata-se de lama. Um monte de lama que contém quantidades quase "infinitas" de minerais usados na criação de tecnologias da nova geração, como baterias, smartphones, veículos híbridos, sistemas de mísseis e dispositivos de radar.

De acordo com a CNN, são cerca de 16 milhões de toneladas de elementos químicos raros que se estima podem ser explorados nos próximos séculos e, desta forma, colocar o Japão a dar cartas num segmento que até agora tem sido controlado pela China, que fornece cerca de 90% dos minerais usados no mundo na produção de tecnologias.

A descoberta das quantidades massivas de minerais foi feita na Zona Económica Exclusiva do Japão ao largo da ilha de Minamitori, em águas a cerca de dois mil quilómetros a sudeste de Tóquio. O achado foi anunciado por uma equipa de cientistas liderada pela Universidade de Tóquio e pela Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha e Terrestre (JAMSTEC), num artigo publicado pela revista Scientific Reports, a 10 de abril.

O custo é elevado, mas o Japão estuda a possibilidade de começar a explorar ao largo da ilha de Minamitori. De acordo com o mesmo estudo publicado pela revista Nature Reports, os 16 milhões de toneladas de lama contêm ítrio que poderá ser explorado durante os próximos 780 anos, európio durante 420 anos, térbio durante 620 anos e disprósio que poderá ser explorado nos próximos 730 anos.

 

Isto é revolucionário para o Japão”, diz Jack Lifton, um dos responsáveis de uma organização que se dedica à pesquisa da utilização de minerais em tecnologias. “A corrida para explorar e desenvolver estes recursos vai aumentar”, sublinha.

 Citado pelo The Wall Street Journal, Lifton explica que, para além da nova descoberta ao largo do Japão, existem ainda depósitos de cobalto e níquel ao largo da Austrália e da Nova Zelândia. 

Com um monopólio na exploração destes elementos químicos, a China, em 2010, aumentou os preços em dez vezes. Com a descoberta de um local com os mesmos recursos em território sob a jurisdição japonesa, os nipónicos podem iniciar produção própria.

“É importante garantir a nossa própria fonte de recursos, já que a China controla os preços”, afirma o professor Yutaro Takaya, da Universidade de Waseda.

 

Takaya alerta que os custos da exploração destes minerais são muito elevados e que será necessária muita mais investigação para saber como extrair os elementos do fundo do mar.

O professor revela que a sua equipa encontrou um método que pode reduzir o custo da exploração, usando um separador hidrociclónico. Este aparelho centrifuga a lama e servirá para separar grãos que sejam compostos por minerais necessários para a produção de tecnologias.