Um dos cardeais mais relevantes da Igreja Católica e conselheiro do Papa nos assuntos climatéricos, Peter Turkson, afirmou, esta quarta-feira, durante a Cimeira do Clima, que o controlo da natalidade pode ser uma solução para as alterações climáticas. Contudo, o cardeal relembrou que os métodos contracetivos artificiais não são uma opção.

Peter Turkson disse, em entrevista à BBC, que a Igreja nunca foi contra o controlo da natalidade e que esta pode mesmo ser a solução para os problemas ambientais dos dias de hoje. Mas este só deve partir de um planeamento familiar natural do casal.

Isto porque uma população maior significa mais pressão sobre os recursos do planeta, maior necessidade de comida e um aumento da poluição.
 

“Ter mais bocas para alimentar é um desafio para nós para sermos mais produtivos, o que é um dos assuntos a ser tratado aqui, o cultivo e produção de comida, assim como a sua distribuição. Quando o Santo Padre voltou da viagem às Filipinas convidou as pessoas a algum controlo da natalidade, porque a Igreja nunca foi contra esse controlo e as pessoas espaçarem os nascimentos e tudo isso. Por isso, sim, pode representar uma solução”.


Contudo, o cardeal quis deixar bem claro que a resposta nunca passaria pela pílula contracetiva ou o preservativo. Uma posição desde sempre bem vincada pela Igreja Católica.
 

“Não tratamos de um bem com outro mal: a Igreja quer as pessoas alimentadas, por isso vamos fazer aquilo que a Igreja considera errado? Esse é um tipo de sofisma com o qual a Igreja não concordaria”.


O recurso a métodos contracetivos artificiais tem sido motivo de polémica na Igreja Católica e torna-se especialmente relevante quando relacionado com as alterações climáticas. A população terrestre atual contabiliza 7 mil milhões de habitantes, número que deverá crescer para os 8,5 mil milhões nos próximos 15 anos.

Grande parte deste crescimento demográfico vem de países em desenvolvimento, onde há uma forte influência católica.