Notícia atualizada às 12:35

O parlamento ucraniano (Rada) aprovou a demissão do ministro da Defesa, Igor Teniukh, criticado pela sua atuação durante a perda «humilhante» da Crimeia, e nomeou para o mesmo cargo o general Mikail Koval.

A Rada havia rejeitado antes a demissão do almirante Igor Teniuk, mas a saída foi finalmente aprovada por 228 deputados, numa sessão parlamentar bastante agitada.

Posteriormente, os deputados votaram a favor da nomeação de Mikail Koval para o cargo, apresentada pelo presidente interino, Oleksandr Turchinov, que recebeu 251 dos 314 votos dos parlamentares presentes na sessão.

«Entendo toda a responsabilidade. Sou militar de carreira. Amo a minha profissão, amo a Ucrânia», disse o general Koval, de 58 anos, e pertencente ao corpo de Guarda Fronteiras.

Koval agradeceu ao almirante pela sua gestão à frente do ministério e Turchinov defendeu Teniukh das acusações de «ineficácia» de que foi alvo nos últimos dias.

«A Rússia esperava na Crimeia provocações dos militares, um confronto militar direto para que morressem centenas de milhares de civis e ter uma desculpa para invadir a Ucrânia continental. Mas, graças à paciência do Ministério da Defesa e das unidades colocadas ali, este plano não funcionou», disse Turchinov.

Vários deputados da Rada, entre os quais o líder do partido UDAR, o ex-boxeur Vitaly Klitschko, acusaram o Governo ucraniano de não ter oferecido resistência às tropas russas na Crimeia e de ter abandonado os soldados que mantiveram lealdade a Kiev.

Mais de 200 unidades ucranianas içaram a bandeira russa e mais da metade dos soldados das forças armadas da Ucrânia trocaram de lado, colocando-se às ordens da Rússia.

A maioria das últimas unidades, bases e navios de guerra que continuavam leais a Kiev foram tomados pelas forças russas no passado sábado, face à inoperância da liderança militar e política do país, denunciada como negligente por muitos oficiais ucranianos.

Os efetivos ucranianos foram forçados pelas tropas russas a deixar todo o armamento e equipamentos nas bases militares.

Pelo menos cinco oficiais ucranianos, entre os quais o comandante adjunto da Marinha da Ucrânia para a defesa do litoral, general Igor Voronchenk, foram detidos pelas autoridades da Crimeia por resistir aos russos.

A Crimeia, península russófona da Ucrânia, foi ocupada durante mais de três semanas por tropas russas tendo sido, entretanto, anexada à Federação Russa na semana passada, depois da realização de um referendo.

A Rússia concedeu, até ao momento, a cidadania a cerca de 2.500 habitantes da Crimeia, segundo o Serviço Federal Migratório (SFM) russo.