O balanço apresentado esta semana pela ONU dá conta de, pelo menos, 2795 civis mortos no Iémen em nove meses de conflito. Quem tem mais hipóteses de sobreviver? Esta é a pergunta que os médicos do hospital de Al-Thawra, em Taiz, no Iémen, fazem sempre que chega um doente.

A guerra civil que se vive no país e o cerco feito a Taiz, que já dura há oito meses, dão poucas esperanças de vida a quem chega a este hospital, também ele alvo de ataques.

A repórter da BBC, Safa Alahmad, foi das poucas que conseguiu entrar na cidade sitiada e onde tudo falta, desde água e comida a medicamentos. Quando chegou àquele hospital, em meados de dezembro, os médicos, reunidos, decidiam se o oxigénio que sobrava ia para uma menina ou para um idoso com uma ferida exposta e infetada.

Na luta pela vida, os clínicos deste hospital, ironicamente, decidem quem deve morrer. Ou morrer primeiro. Nos hospitais iemenitas, a sobrevivência não está garantida.

Os médicos escolheram Asma, de seis anos, ferida gravemente quando esperava pela sua vez para conseguir água potável. Junto ao camião estavam outras 19 crianças que ficaram feridas no ataque e cinco que morreram.

Asma, de seis anos, com um buraco na cabeça do tamanho de uma mão, foi operada pelo médico Ahmed Muqbal, num contrarrelógio para que o oxigénio não acabasse.O médico fez a missão possível.

"Lutámos muitos para salvar a vida dela, mas agora todo o esforço pode ir para o lixo por causa da falta de oxigênio puro", disse Ahmed Muqbal à jornalista.


O idoso preterido no tratamento morreu dois dias depois. Asma não morreu na mesa de operações, mas não resistiu muito mais. Pelo Natal, a pequena Asma já tinha falecido.

Asma e o idoso fazem parte da estatística de mortos e feridos no país. De acordo com o último balanço das Nações Unidas, os nove meses de guerra civil no Iémen já provocaram a morte a quase 2800 civis e deixaram mais de 5300 feridos. Destes, pelo menos 81 civis morreram e 109 ficaram feridos no mês de dezembro de 2015.