Apesar do bloqueio para entrar na Hungria, muitos refugiados não desistem e a polícia húngara começou a atuar de outra forma para minar as hipóteses de as pessoas furarem o controlo policial. Esta quarta-feira, as autoridades lançaram gás lacrimogéneo e canhões de água contra os migrantes na fronteira com a Sérvia. Um a repórter da TVI também foi apanhado pelo gás pimenta

As agências internacionais France Press e Reuters descrevem o aparato, adiantando que os protestavam junto à fronteira com a Sérvia e que lançaram objetos contra os agentes, segundo a polícia.

“A multidão do lado sérvio tornou-se agressiva, lançou pedras, garrafas e paus contra a polícia do lado húngaro e passou a barreira na fronteira”


Segundo a Lusa, dezenas de migrantes conseguiram forçar a passagem por entre as forças policiais e entrar em território húngaro, durante os incidentes.

Segundo jornalistas da agência France Presse no local, junto ao posto fronteiriço de Rozske (sul), alguns migrantes conseguiram arrancar as grades atravessadas nas vias de acesso à Hungria e passar pelas filas de polícia antimotim.

Já a  Amnistia Internacional avança que várias crianças foram separadas das suas famílias pela polícia húngara durante as cenas caóticas.

A organização disse que pelo menos nove pessoas, incluindo quatro crianças, foram separadas pela polícia húngara depois dos migrantes tentarem passar a fronteira.
 

ONU considera "inaceitável" tratamento dado refugiados 


O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, considerou hoje “inaceitável” o tratamento que está a ser dado aos migrantes pelas forças de segurança húngaras.

“Estou escandalizado por ver como aqueles refugiados e migrantes são tratados, é inaceitável”, disse, em conferência de imprensa, Ban Ki-Moon.


Ban Ki-Moon disse ter contactado nos últimos dias vários líderes europeus, incluindo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, para salientar a “necessidade de abordar o problema segundo as convenções internacionais dos refugiados e do direito humanitário”.

“Orbán disse-me que ia fazer o seu melhor”, disse.

Segundo Ban Ki-Moon, as “pessoas que fogem de guerras e perseguições devem ser tratadas com compaixão” e devem ter “assistência e abrigo”.

“Devem ser tratados com dignidade humana, esta é a mensagem que repeti aos líderes na Europa e na Ásia”, salientou.

Ban Ki-Moonn prestou homenagem aos países vizinhos da Síria (Jordânia, Líbano e Turquia) que acolheram centenas de milhares de sírios que fogem da guerra.

O secretário-geral da ONU felicitou também os “líderes e cidadãos de vários outros países, incluindo Alemanha, Suécia e Áustria, que abriram (as fronteiras) e mostraram solidariedade”.

“Também estou grato à generosidade financeira de muitos países, especialmente Reino Unido e Kuwait”, acrescentou.

Com o reforço do controlo de fronteiras, e depois de a Hungria ter anunciado na terça-feira um novo muro e que ia começar a deter quem tentasse passar ilegalmente, muitos migrantes estão em busca do sonho europeu por outros caminhos. 

A Croácia é agora a nova porta de entrada de refugiados que querem chegar ao norte da Europa.