Milhares de fotos que mostram pessoas torturadas até à morte em prisões sírias foram divulgadas por um desertor do regime. A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) investigou as imagens e concluiu que estas são “prova contundente” dos crimes contra a humanidade que estão a ter lugar na Síria.

As imagens podem ser vistas neste link, no entanto, avisamos os leitores para o conteúdo chocante das mesmas. 

Nos últimos nove meses, a HRW analisou 28.707 das mais de 53.000 fotografias que foram tiradas por um fotógrafo da polícia militar, cujo nome de código é “Caesar” e que, quando desertou, em 2013, as retirou do país.

A associação conseguiu apurar que as imagens mostram cerca de 7.000 sírios, “depois de terem sido transferidos da prisão para um hospital militar”. A investigação concluiu que todas as fotografias tinham sido tiradas no Hospital Militar 601, em Mezze.

Em algumas imagens os cadáveres surgem identificados como pertencendo a membros do governo, soldados ou civis mortos durante ataques, explosões ou assassinados.

Mas a organização diz ter “analisado meticulosamente dúzias de histórias” e acredita que “que as fotografias apresentam provas autênticas e reprováveis de crimes contra a humanidade na Síria”.
 

“A Human Rights Watch encontrou provas de práticas de tortura difundida, falta de alimentação, espancamento e doenças nas instalações prisionais do governo sírio”.


Através de entrevistas aos familiares e amigos e da análise das fotos, a HRW conseguiu apurar que pelo menos 27 dos prisioneiros foram presos pelos serviços secretos na Síria e terão sido torturados até à morte durante as detenções. A organização recordou que só desde 2011, 117 mil pessoas foram presas no país.

Segundo a organização, algumas fotografias datam de 2011 e “Caesar” terá começado a traficá-las em 2013, copiando os ficheiros no local de trabalho, antes de sair da Síria.

Entre as vítimas identificadas, através das imagens retiradas do país, está um rapaz que tinha 14 anos quando foi preso e uma ativista na casa dos 20. As famílias, que foram contactadas pela HRW, que publicou toda a investigação online, contaram que esperaram meses por notícias dos jovens, mas que a única coisa que receberam foi um certificado a dizer que tinham morrido devido a “falhas respiratórias”. Nunca chegaram a ver os corpos dos familiares.

Contudo, a associação considera que “estas fotos representam uma pequena fração das pessoas que morreram enquanto estavam sob custódia do governo sírio” e relembrou que “milhares ainda enfrentam o mesmo destino”.
 

“Não temos dúvidas que as pessoas que surgem nestas fotos morreram à fome, foram espancadas e torturadas de forma sistemática e a uma escala massiva. O governo registou estas mortes, analisando dúzias de corpos de cada vez e não tomaram qualquer medida para investigar a causa da morte e para prevenir que mais pessoas morressem enquanto estavam detidas. Muitos dos sobreviventes que ficaram detidos nestas condições horríveis disseram-nos que muitas vezes desejavam morrer a continuar a sofrer”.