As autoridades sanitárias espanholas vão iniciar um novo sistema de formação em biossegurança, extensivo a todo o Sistema Nacional de Saúde, que permita responder melhor ao vírus do Ébola e a outras doenças infeciosas.

O anúncio foi feito por Antonio Andreu, diretor-geral do Hospital Carlos III, depois da reunião diária do Comité Cientifico que acompanha a crise do Ébola em Madrid, que decorreu no Palácio da Moncloa, sede do Governo.

Para o caso do Ébola, explicou, o programa de formação vai centrar-se na Escola Nacional de Saúde, com «módulos específicos para os funcionários sanitários do complexo hospitalar La Paz-Carlos III», onde está internada a auxiliar espanhola Teresa Romero, infetada com o vírus.

Recorde-se que, mesmo no pior dos cenários, em que a auxiliar de enfermagem infetada com ébola em Espanha contagiou todas as pessoas com quem contactou, a possibilidade de um surto do vírus prosperar na capital espanhola, é escassa. A chamada de atenção parte de especialistas em propagação de vírus, biomatemáticos, que lembram que a rácio (R0) de contágio do ébola é das mais baixas de entre as doenças contagiosas. Por exemplo, o sarampo é dez vezes mais contagioso.

Entre os especialistas em doenças contagiosas existe um grupo de biólogos, matemáticos e estatísticos, que têm a função de aplicar as matemáticas a cada doença. Estes utilizam os dados disponíveis para tentarem calcular o (R0) do surto, conhecido por ser um número mágico - o número básico de reprodução. Com ele pode-se antecipar a extensão de uma epidemia.