Uma mulher, de 51 anos, do estado do Novo México, nos Estados Unidos, afirma ter sido abusada sexualmente por um anfitrião do Airbnb e quer ver a empresa responsabilizada por negligência na verificação dos antecedentes criminais dos anfitriões.

Segundo o The Guardian, Leslie Lapayowerk está a processar o Airbnb por lhe ter permitido alugar um quarto do senhorio Carlos Del Olmo, que, anteriormente, já tinha sido acusado de violência doméstica.

Não quero que aconteça com outras mulheres. Foi horrível e acho que todos deveriam ser avisados de que isso poderá acontecer com eles, com as filhas, as mulheres ou as irmãs”, sublinhou Leslie.

Contactado pelo The Guardian, Carlos Del Olmo afirmou que não sabia da existência da queixa e negou a ocorrência de agressão sexual.

Um porta-voz do Airbnb explicou que foi feita uma avaliação dos antecedentes de Carlos, mas, como acabou por não ser condenado num caso anterior, foi autorizado a ser anfitrião. A empresa acrescentou, contudo, que, depois das acusações de Leslie Lapayowerk, acabou por o remover do site.

Este é o primeiro processo judicial que levanta o problema de eventuais responsabilidades legais do Airbnb quando os anfitriões violam a lei e são apanhados em atos criminosos.

Como tudo aconteceu

Leslie Lapayowerk mudou-se para Los Angeles, em julho de 2016, para começar um novo emprego. Tinha planeado viver em casa de Carlos Del Olmo durante o primeiro mês, enquanto procurava uma habitação permanente.

Carlos Del Olmo estava a alugar um estúdio anexo à sua moradia. Era um utilizador “verificado” e tinha o estatuto de “superhost” - ou seja, era considerado um “super anfitrião” – o que significa que teve críticas positivas e que recebia hóspedes frequentemente.

Assumi que estava em boas mãos”, contou a norte-americana, segundo o The Guardian.

Contudo, segundo o processo que deu entrada no tribunal, o senhorio rapidamente fez comentários, de cariaz sexual, que deixaram Leslie desconfortável.

Ele assustou-me”, explicou.

Depois de três noites, a hóspede decidiu sair do estúdio e, quando voltou para buscar o computador, Carlos Del Olmo disse que lhe queria mostrar alguma coisa dentro de casa. Depois, o anfitrião trancou a porta, desceu os calções, começou a masturbar-se e beijou Leslie à força. A hóspede suplicou-lhe que parasse, mas Carlos ignorou o pedido. No fim, o anfitrião ainda disse “não te esqueças de me deixar um comentário positivo no Airbnb”.

Leslie explicou que, inicialmente, hesitou em chamar a polícia.

Eu fiquei chocada. Fiquei com medo que ele descobrisse onde moro e viesse atrás de mim”, desabafou a hóspede.

Ainda naquele mês, Leslie Lapayowerk acabou por reportar o incidente às autoridades e ao Airbnb, que acabou por banir Carlos Del Olmo do site. A polícia não deu seguimento à acusação, argumentando que não havia provas suficientes do abuso sexual.

 

O anfitrião já tinha sido acusado de violência doméstica

O advogado de Leslie descobriu que o homem já tinha sido detido por violência doméstica, na Flórida. Nessa altura, Carlos Del Olmo foi integrado num programa de reabilitação para abusadores sexuais, uma alternativa à acusação.

De acordo com o The Guardian, o anfitrião afirmou que o encontro com Leslie foi “consensual” e que tanto ela como a vítima do caso anterior tinham mentido.

Leslie Lapayowerk não queria acreditar quando soube que Carlos Del Olmo já tinha sido acusado anteriormente.

Eu fiquei furiosa. Como deixaram alguém assim ser anfitrião?”, questionou a norte-americana.

Um porta-voz do Airbnb defendeu-se afirmando que a empresa verifica os antecedentes de todos os anfitriões dos Estados Unidos, nas listas de suspeitos de terrorismo, registos de crimes sexuais e outros “delitos significativos”.

O comportamento abominável descrito não tem lugar na nossa comunidade e não vamos tolerá-lo. Nós tentámos apoiá-la da maneira que pudermos e continuaremos a fazê-lo”, disse a empresa ao The Guardian, através de um comunicado.