As manifestações pela democracia e pelo sufrágio universal em Hong Kong estenderam-se esta noite à zona onde está prevista a cerimónia do hastear da bandeira nas celebrações do Dia Nacional da China, esta quarta-feira.

Grupos de manifestantes concentrados em Admiralty, zona onde se encontram os escritórios centrais do governo local, começaram por volta da meia-noite (17:00 em Lisboa) a deslocar-se para a praça 'Bauhinia Dourada', cujo acesso já se encontrava bloqueado por agentes da polícia.

Os manifestantes deslocaram-se para a praça Bauhinia Dourada, que tem o nome da flor-emblema da Região Administrativa Especial de Hong Kong, numa altura em que estavam em vigor avisos meteorológicos de trovoada, e amarelo de chuva forte entretanto levantados.

Pelas 06:30 de quarta-feira em Hong Kong (23:30 em Lisboa), não chovia e os manifestantes aguardavam na zona pelo início das celebrações do Dia Mundial da China, marcado para as 8:00 (01:00 em Lisboa).

Estudantes circulavam entre os manifestantes com cartazes e ecoando 'slogans' de apelo à não violência: «Nós somos estudantes e dizemos não à violência».

A decisão de levar manifestações em prol da democracia em Hong Kong para a cerimónia do içar da bandeira não agradou a todos.

«Partes do movimento não apoiam a ideia de ir para aquela praça porque não queremos que a sociedade pense que estamos a criar muita confusão com esta campanha. É muito sensível porque é o Dia Nacional da China», disse à agência Lusa grau Yiu, de 23 anos.

«Não queremos dar nenhuma desculpa à polícia para usar a violência outra vez», acrescentou o funcionário de terra do aeroporto.

O amigo que o acompanha, Luigi Cheung, de 31 anos, subscreveu a ideia de voltar para o protesto instalado em Admiralty.

Já outros ativistas prognosticaram que a concentração junto ao local do hastear da bandeira deverá decorrer pacificamente e sem perturbar as cerimónias. «Só queremos falar com o chefe do Executivo», disse uma jovem não identificada.

O eventual regresso da chuva também não amedronta os manifestantes. «O tempo não nos vai parar. Depois da chuva, as flores vão florescer mais depressa e vamos criar uma floresta», disse Luigi Cheung, diretor de arte do grupo ActKi.

«Se realmente queremos este lugar e se formos criados neste lugar, então temos de lutar», sublinhou Gary Yiu.

A praça Bauhinia Dourada fica na zona de Wan Chai, adjacente a Admiralty, onde têm decorrido protestos.