Os olhos mediáticos têm estado postos em Jeb Bush como mais provável nomeado presidencial republicano para 2016, ou ainda na desistência de Mitt Romney ou nas hipóteses do carismático Chris Christie.
 
Mas um dos principais protagonistas da corrida republicana, pelo menos nos estados de arranque, poderá ser Scott Walker, o jovem e popular governador republicano do Wisconsin.
 
À primeira vista, pode ser considerado «outsider» (não tem, de facto, a dimensão nacional de Jeb e Chris).
 
Mas Scott Walker tem perfil ganhador: é jovem, tem credenciais executivas (os republicanos gostam mais de governadores do que de legisladores), lidera estado competitivo eleitoralmente (relevante tanto para as contas republicanas como democratas), é conservador mas não exagera na dose anti-democrata (ao contrário do tom dominante, demasiado à direita, de outros candidatos republicanos).
 
A juntar a isto tudo, Scott Walker está a ter aposta forte nos estados de arranque, algo que, na dinâmica de uma nomeação presidencial na América, pode ser muito importante: lidera a corrida no Iowa (estado onde Jeb Bush está a revelar dificuldades) e disputa o primeiro lugar no New Hampshire com o favorito à nomeação.
 
Dados suficientes para olhar Scott Walker como um candidato credível, com algumas hipóteses de sonhar com a nomeação.
 
Scott Kevin Walker, 47 anos, é o 45.º governador do Wisconsin.
 
Reeleito com grande vantagem nas eleições intercalares de novembro passado, depois de primeira eleição para o governo do estado em 2010, mostra-se eleitoralmente forte num «swing state» que tem sido, nas últimas eleições presidenciais, uma espécie de barómetro de quem possa vir a eleito para a Casa Branca.
 
Nasceu no Colorado, estudou na Universidade Marquette, em Milwaukee, mas numa típica história americana, acabou por não terminar a licenciatura, optando por trabalhar na IBM. Mais tarde, obteve um emprego na área do marketing da Cruz Vermelha americana.
 
A história política de Scott começou bem cedo: com 18 anos, foi voluntário da campanha de Tommy Thompson para governador do Wisconsin; aos 22 anos, concorreu ao parlamento estadual, num distrito de Milwaukee, mas perdeu.
 
Já lá vão duas décadas e meio mas, na verdade, foi a única corrida competitiva que Scott Walker perdeu até hoje.

Num percurso político já bastante completo para quem ainda está longe dos 50, o governador do Wisconsin tem-se mostrado um republicano com boa capacidade de disputar eleitorados flutuantes, algo que poderá ser crucial nos momentos chave da decisão dos republicanos em relação a quem será o nomeado presidencial para 2016.
 
Depois dessa primeira derrota em 1991, Scott Walker somou vitórias: eleito para a assembleia estadual do Wisconsin em 93 (concorrendo por um distrito mais conservador, Wauwatosa), acabou por se reeleger facilmente mais quatro vezes, até 2002.
 
Entre 2002 e 2010, ganhou a vaga deixada em aberto por Tom Ament para County Executive em Milwaukee, boa rampa de lançamento para o cargo de governador do Wisconsin, que obteve em 2010.
 
Pelo meio, em 2006, ainda tentou uma primeira corrida a governador do seu estado, mas viria a desistir ainda antes das primárias do seu partido.
 
Como governador de estado do Midwest, com características «mistas» (forte implantação democrata no mercado laboral, mas forte componente conservadora na mentalidade e nos hábitos), Scott tem essencialmente optado por uma via de incentivos fiscais às empresas e aos negócios, com fortes cortes de impostos a quem investe e dá empregos.

Será que mantém o avanço no Iowa e, com ele, se lança como principal ameaça à nomeação de Jeb Bush?

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»