A corrida para a sucessão de Barack Obama na Casa Branca começa a aquecer.
 
A 23 meses das eleições presidenciais de novembro de 2016, sondagem da Opinion Research Corporation para a CNN mostra uma confirmação e uma surpresa.
 
A confirmação é, como se esperava, o passeio de Hillary Clinton no lado democrata.
 
A secretária de Estado no primeiro mandato de Barack Obama tem 55 pontos de vantagem sobre a segunda classificada, a senadora Elizabeth Warren, do Massachussets (65 para Hillary, 10 para Warren).
 
Acontece que Elizabeth já garantiu várias vezes que não vai candidatar-se e que a sua candidata para 2016 se chama... Hillary Clinton.
 
A menos que algo que de muito inesperado aconteça, a nomeação do lado democrata parece estar resolvida.
 
A forma como Hillary tem reagido aos principais acontecimentos (derrota dos democratas nas intercalares, ações executivas unilaterais de Obama sobre Imigração) mostra como a antiga senadora Clinton é já tratada como «mais-do-que-provável nomeada presidencial do Partido Democrata».
 
A seguir a Hillary (65) e Elizabeth (10), os restantes nomes com algum tipo de apoios para uma corrida presencial no lado democrata nem aos dois dígitos chegam: o vice-presidente Joe Biden (9) e o senador independente do Vermont, Bernie Sanders (5).
 
No caso de Biden, será apenas um resquício do legado de Obama (embora o essencial vá ser apanhado por Hillary Clinton). Bernie Sanders, um pouco como Elizabeth Warren, representam sensibilidades liberais e de uma certa esquerda não comprometida com «o sistema», que exige mais transparência a Washington e que considera que Barack Obama não foi capaz de cumprir a «limpeza» prometida ao «business as usual» na capital política norte-americana.
 
Quando as primárias se aproximarem, o mais provável será que apenas um candidato (talvez Sanders) consiga reunir o lote de democratas que não estão convencidos com a inevitabilidade de Hillary. Mas a nomeação da antiga Primeira Dama só não acontecerá caso ela decida, inesperadamente, não avançar.
 
Mas a grande questão está, sem dúvida, do lado republicano.
 
Quem sucederá a Mitt Romney como nomeado presidencial republicano?
 
E é aí que aparece a grande surpresa desta sondagem CNN/ORC para as presidenciais 2016: Mitt Romney pode suceder a Mitt Romney.
 
Nos últimos meses, a corrida republicana mostrou um impasse: preferências pulverizadas por vários candidatos (Jeb Bush, Chris Christie, Paul Ryan, Rand Paul, Marco Rubio, Mike Huckabee...), sendo que nenhum deles exibia capacidade de descolar dos demais, ficando assim todos algures entre os 6 e os 12 pontos percentuais.
 
Ora, uma nomeação presidencial prevê que, a partir de um certo ponto, alguém se destaque, afirmando-se como o candidato com melhores condições de congregar o partido e reunir uma maioria presidencial.  
 
Na nomeação para 2012, houve um autêntico rodízio de «frontrunners», mas no final venceu facilmente Mitt Romney: era quem tinha mais dinheiro, mais notoriedade nacional, mais capacidade de captar votos em diferentes segmentos.
 
E o que pode favorecer um «Romney parte II» é que os dados parecem estar a repetir-se: há vários pretendentes do lado republicano, mas nenhum deles parece reunir tantas condições como o antigo governador do Massachussets.  
 
A sondagem da CNN coloca Romney com 20 pontos, dez pontos à frente de Ben Carson (médico negro conservador, outro nome novo na disputa, que apesar de surgir em segundo deverá ser fenómeno passageiro), sendo que Jeb Bush aparece em terceiro, com nove pontos.
 
Seguem-se o governador da Nova Jérsia, Chris Christie, com oito, Mike Huckabee (antigo governador do Arkansas) com sete, Rand Paul (senador do Kentucky e filho de Ron Paul) com seis, Paul Ryan (congressista do Wisconsin e nomeado a vice-presidente no ticket republicano para 2012) também com seis.
 
Com cinco pontos ou menos surgem ainda Scott Walker, Marco Rubio, Ted Cruz, Bobby Jindal, Rick Perry, John Kasich, Rick Santorum ou Mike Pence.
 
O que concluir de tanta confusão?
 
Três coisas, essencialmente:
 
-- Mitt Romney, caso avance mesmo, passa a ser o principal favorito à nomeação. Tem os apoios, o dinheiro, a visibilidade e não tem o principal problema de grande parte dos seus adversário internos: não está demasiado colado à ala Tea Party (que nas intercalares de novembro já não mostrou tanto peso como há quatro anos);
 
-- Jeb Bush e Chris Christie parecem ser as principais alternativas ao novo favoritismo de Romney. Pelo peso político nacional que têm (ambos conseguem simpatias nalguns setores independentes e até democratas, pela forma como lideraram a Florida e a Nova Jérsia). Mas Jeb mostra alguns problemas de carisma e tem um grande problema para resolver, que é a herança da presidência do irmão. Quanto a Chris Christie, que está muito mais magro (claramente a pensar na imagem para a candidatura presidencial), livrou-se do problema do «Bridgegate» e tem qualidades políticas que lhe podem fazer acreditar em subir bastante dos oito pontos que agora tem
 
-- Nomes como Marco Rubio, Paul Ryan, Rand Paul ou Ted Cruz, que até há uns meses pareciam prometer tanto, não devem conseguir descolar das suas zonas de influência, limitadas a uma direita radical, virada para dentro. Dá para entusiasmar convenções partidárias, mas não chega para obter a nomeação presidencial.
 
Questão entre Mitt Romney, Jeb Bush e Chris Christie? Talvez.
 
E sobre isso, George W. Bush até já se pronunciou, considerando que «se Jeb concorrer e for o nomeado, vai bater Hillary Clinton».

Chris Mathews, na MSNBC, profetiza: «Mitt Romney baterá Jeb Bush e será o nomeado do Partido Republicano para 2016».

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»