A 83 dias da grande decisão, a agulha continua muito virada para uma vitória Hillary.

Sondagens saídas nos últimos dias apontam avanços importantes para a nomeada presidencial democrata nos estados decisivos.

Contabilização feita pelo prestigiado «FiveThirtyEight» de Nate Silver (538 é o número total de Grandes Eleitores do Colégio Eleitoral) aponta para que Hillary chega a 273 votos eleitorais (bastam 270 para obter a presidência), apenas com o conjunto de estados «solid democrats» e com os ‘swing states’ (estados flutuantes) em que está com uma média de nove pontos ou mais: Virgínia, New Hampshire, Colorado, Pensilvânia e Wisconsin.

Se a estes 273 votos somarmos os que decorrem de estados em que Hillary tem vantagens mais curtas (2 a 8 pontos), como são os casos de Ohio, Florida, Carolina do Norte, Iowa e Nevada, então poderemos estar a falar neste momento num ‘landslide’ (assim uma espécie de… goleada em versão eleitoral americana) a favor da candidata democrata.

O «Real Clear Politics» aponta, nesta altura, uma projeção que dá 362 votos eleitorais a Hillary e apenas 176 a Trump (há quatro anos, Obama bateu Romney por 332-226).

Não será, por isso, de admirar que, nesta fase, a menos de três meses da eleição, as «betting ods» (probabilidades nas casas de apostas) deem agora uma média de 81% de hipóteses de eleição Hillary e 19% para Trump, sendo que Nate Silver, o ‘mago’ das análises de probabilidades em eleições presidenciais na América (acertou em todos os estados nas últimas duas corridas, 2008 e 2012), chega aos 89% para Hillary.

‘Game over’? Com os atuais dados, supostamente sim: não se imagina como poderia Trump bater Hillary se as eleições fossem hoje.

Mas a dinâmica de uma corrida presidencial na América pode mudar em poucas semanas, talvez até em poucos dias.

Tudo está, por isso, ainda em aberto.

Ele não vai mudar

O campo republicano pode estar em polvorosa, mas ‘ele’ não vai mudar.

É o próprio Donald Trump a lançar o aviso: “Não vou mudar de estratégia nem vou alterar o meu comportamento”.

Em entrevista à Fox Business Network, o nomeado presidencial republicano comentou: “Sempre tive um bom temperamento e tenho-o tido até agora nesta eleição. Vencemos vários adversários nas primárias e agora só falta levar a melhor sobre uma pessoa e estamos a sair-nos bem nisso. Vamos ver o que isto vai dar”.

Só uma grande exceção pode salvar Donald

Uma coisa é certa: só uma grande exceção pode, nesta altura, dar a eleição a Donald Trump.

Já depois das convenções partidárias, neste período, se olharmos para as últimas 16 eleições presidenciais, nunca um candidato que esteja muito atrás nas sondagens obteve a eleição.

Desde que há estudos de opinião ininterruptos na América (primeira eleição de Eisenhower, em 1952), todos os líderes de sondagens pós convenções vieram a ser eleitos em novembro.

Mas sendo esta corrida de 2016 uma batalha com contornos singulares em vários aspetos, é claro que este dado histórico não é, por si só, uma garantia de eleição Hillary, ainda que nos ajude a pôr em perspetiva a vantagem clara que, neste momento, a nomeada democrata tem.

Sem apoio significativo dos republicanos notáveis nos estados decisivos (são poucos os governadores e congressistas que estão a fazer campanha pelo nomeado presidencial republicano), Donald Trump tenta, agora, fazer algumas mudanças na estrutura da sua campanha, mas sempre dando a entender, no seu discurso oficial, que a “culpa é dos media e dos comentadores”, que o seu discurso está “a ser deturpado” e que “esta eleição tem os dados viciados”.

Rudy Giuliani, um dos poucos republicanos de topo que se mantém do lado de Trump, fez demonstração um pouco embaraçosa desse ‘mantra’ de Donald, em entrevista à CNN, em que tentava, de forma acalorada mas pouco sustentada, garantir que Trump tem sempre que explicar as declarações de véspera porque “elas não são bem reproduzidas pelos media”.

Este tipo de discurso da campanha Trump está a levar a um ambiente cada vez mais hostil, nos comícios do candidato.

Uma jornalista da NBC chegou mesmo a ter que sair escoltada pelos Serviços Secretos, quando, num comício de Trump, apoiantes do republicano se viraram para ela a gritar: “A culpa é tua! A culpa é tua!”