O ataque de tosse que Hillary Clinton teve num comício em Cleveland arrisca tornar-se um verdadeiro engasgão a dois meses das eleições. A mais recente sondagem realizada para a cadeia de televisão CNN dá 45% de intenções de voto para Trump, contra 43% para a candidata Democrata.

A sondagem foi realizada pela empresa de estudos ORC (Opinion Research Corporation) entre os dias 1 e 4 de setembro. Foram inquiridos 1001 eleitores. Entre os recenseados, Hillary ainda tem uma vantagem de três pontos (44% contra 41% de Trump), mas entre os votos prováveis, o Republicano já está à frente. E contente da vida, fazendo questão de o agradecer aos norte-americanos.

Com Trump satisfeito, Hillary Clinton prefere desviar a conversa. Ou pelo menos, dar a resposta evasiva e politicamente esperada da parte de qualquer candidato, quando os números não lhe são tão agradáveis.

Não presto atenção às sondagens. Quando me são favoráveis - e tem havido muitas recentemente - não lhes presto atenção. Quando não são tão boas, também não lhes ligo. Estamos numa campanha", reagiu Hillary Clinton, quando confrontada pela CNN

Se Hillary tem ainda três pontos de vantagem sobre Trump entre os eleitores recenseados, 71 milhões em 2012, convém lembrar que, pouco mais de um mês antes, tinha mais 8%. 

Fileiras cerradas

O novo estudo da CNN vem também mostrar que as fileiras entre Republicanos e Democratas estão cada vez mais cerradas.

Entre os eleitores do Partido Democrata, 92% apoiam Hillary Clinton, tal como, entre os que votam nos Republicanos, 90% já vão com a cara de Trump, apesar de muitas figuras gradas do partido terem desaprovado a escolha do multimilionário. Um amargo de boca que começou logo na convenção republicana.

A sondagem vem também mostrar que a bipolarização política nos Estados Unidos é uma tradição que continua a ser o que era. O candidato do Partido LIbertário, Gary Johnson, recolhe 7% das intenções de voto e a representante do Partido Verde, Jil Stein, fica-se pelos 2%.

Nenhum dos dois parece por isso capaz de recolher 15% das intenções de voto, que lhes permitiriam ter acesso a debates televisionados, o primeiro dos quais está marcado para 26 de setembro.

Clinton provável presidente

Apesar da viragem nas intenções de voto, a maioria dos inquiridos neste início de setembro acredita que Hillary Clinto será a próxima presidente dos Estados Unidos. Ou seja, voltará a fazer-se história em breve: depois do primeiro presidente negro, a Casa Branca irá receber a primeira mulher a governar a mais poderosa nação do mundo.

Entre os eleitores, 59% acreditam que Hillary conseguirá os votos dos necessários 270 deputados, senadores e delegados para ser eleita presidente. Apenas 34% apostam em Trump.

A sondagem reforça também alguns indicadores já antes conhecidos. As mulheres preferem maioritariamente Hillary (53% contra 38% para Trump), enquanto 54% dos homens escolhem Trump, contra 32% para a candidata democrata.

Já agora, entre as mulheres não casadas, Hillary recolhe 73% dos apoios, um valor que é o dobro dos apoios à candidata por parte das mulheres casadas, apenas 36%.

Entre os mais jovens, os eleitores abaixo dos 45 anos dão a Hillary uma clara vantagem, de 54% contra 29% para Trump.

Por último, a população branca apoia maioritariamente Donald Trump (55% face aos 34% de Clinton), enquanto quase um quarto dos não-brancos prefere Hillary (71% contra 18% para o republicano). A candidata recolhe também a maioria dos apoios entre os eleitores com estudos universitários. Os que têm menos instrução gostam de Trump.