A candidata presidencial democrata norte-americana, Hillary Clinton, considerou que António Guterres "provou ao longo da sua carreira ser um defensor dos Direitos Humanos e um representante dos mais vulneráveis."

Enquanto Alto-comissário para os Refugiados, deu ajuda e esperança a milhões de homens, mulheres e crianças que foram forçadas a fugir das suas casas. E é um construtor de consensos que consegue unir as pessoas para avançar interesses comuns e enfrentar desafios comuns", acrescentou Clinton.

A democrata, que é a primeira mulher nomeada por um dos dois grandes partidos à presidência e pode tornar-se a 8 de novembro a primeira mulher Presidente dos EUA, salientou ainda a promessa de paridade feita pelo designado secretário-geral das Nações Unidas.

Fiquei sensibilizada por Guterres indicar a igualdade de género como uma prioridade principal nas nomeações para cargos seniores. Encorajo fortemente esforços para aumentar a diversidade na liderança da ONU", disse.

No primeiro discurso na Assembleia-geral da ONU, após aclamação como 9.º secretário-geral das Nações Unidas, que iniciará funções em 1 de janeiro de 2017, António Guterres repetiu as duas palavras que resumem o que sentiu quando soube da decisão tomada pelo Conselho de Segurança de o indicar para liderar a organização internacional: "gratidão e humildade".

Mas agora juntou-lhe "um profundo sentido de responsabilidade", garantindo que não terá todas as respostas, nem imporá opiniões.

Se for eleita Presidente dos EUA, espero ansiosamente trabalhar com Guterres e todos os nossos parceiros para moldar um futuro mais pacifico e próspero para cada cidadão do mundo", concluiu Hillary Clinton.

Hollande acredita que Guterres está "plenamente à altura" dos desafios

O Presidente francês, François Hollande, felicitou António Guterres pela nomeação como secretário-geral das Nações Unidas, considerando que estará “plenamente à altura” dos desafios que o mundo enfrenta, como o terrorismo, alterações climáticas e tragédias humanitárias.

Numa mensagem enviada à agência Lusa pelo Palácio do Eliseu, Hollande felicita “calorosamente” António Guterres, que foi hoje escolhido com aclamação como secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

No momento atual, marcado por “crises, terrorismo, urgência climática, tragédias humanitárias”, o mundo necessita, mais que nunca, que as Nações Unidas sejam “fortes, eficazes e unidas à volta dos objetivos da paz, da segurança, de desenvolvimento e de defesa dos direitos humanos que presidiram à sua criação”, sustenta o chefe de Estado francês.

O Presidente francês afirma-se convicto que António Guterres estará “plenamente à altura destes problemas”, destacando que é um homem “de compromisso, de convicção e de ação” que sempre marcou o seu desempenho, quer como primeiro-ministro de Portugal quer como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, pelo seu “humanismo, apego aos valores fundamentais, capacidade de definir um rumo, de dirigir e reformar”.

Hollande saúda também a escolha de “um amigo da língua francesa” e que estará disponível para manter a francofonia no seio da organização.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros e do Desenvolvimento Internacional francês, Jean-Marc Ayrault, endereçou as “mais calorosas felicitações” a António Guterres pela sua escolha, “no final de um processo de seleção transparente”, durante o qual os candidatos ao cargo apresentaram aos Estados-membros e à sociedade civil a sua visão para as Nações Unidas.

Para o executivo francês, “a experiência reconhecida” de Guterres permitirá enfrentar os “numerosos desafios a que as Nações Unidas devem fazer face”.

Ayrault saúda ainda Ban Ki-moon, que no final do ano concluirá o segundo mandato, num total de dez anos, como secretário-geral da ONU, destacando o seu trabalho “incansável em prol da paz”. O ministro francês expressou ainda votos de que a reforma da ONU que Ban iniciou possa ser prosseguida.

Presidente e Governo franceses declaram que Guterres contará com o total apoio de França no seu mandato à frente das Nações Unidas.

Grupos regionais aplaudem "vasta experiência" de Guterres

Os representantes dos grupos regionais das Nações Unidas elogiaram a transparência do processo que resultou na escolha de António Guterres para secretário-geral, destacando a sua “vasta experiência” e esperando que prossiga com as reformas internas.

O presidente da Assembleia-geral, Peter Thomson, qualificou como histórico o processo de seleção do nono secretário-geral, que foi “pela primeira vez guiado por princípios de transparência e abrangência" e terminou hoje com a aclamação de Guterres em sessão plenária na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Destacando a “vasta experiência” de Guterres, Thomson acredita que o antigo primeiro-ministro português “vai servir a comunidade internacional com dedicação”.

Garantindo que “fará tudo para facilitar um processo de transição suave”, Thomson adiantou que Guterres já aceitou o convite da Assembleia-geral para uma reunião no dia 19, para debater prioridades e desafios da organização.

Em nome do grupo África, o representante do Níger destacou a “experiência em assuntos internacionais” de Guterres, que assumirá funções a 1 de janeiro de 2017.

Em nome do grupo Ásia-Pacifico, o representante do Kuwait considerou que Guterres tem uma “clara visão sobre o papel das Nações Unidas, que dá a todos os Estados-membros uma esperança renovada no futuro”, e disse esperar que o “político veterano” consiga ajudar a resolver os conflitos na região.

O representante da Geórgia, em nome do grupo Europa de Leste, destacou o compromisso de Guterres com o multilateralismo, enquanto o representante do Chile, em nome do grupo América Latina e Caraíbas, elogiou as suas "competências diplomáticas” e independência.

Em nome do grupo Europa Ocidental e Outros Países, o representante do Reino Unido congratulou Guterres em português – “muitos parabéns” – e disse acreditar na sua capacidade para “gerir eficaz e efetivamente” a organização, avançando “com as muito necessárias reformas” internas.

Uma Organização das Nações Unidas forte é necessária mais do que nunca e hoje escolhemos um secretário-geral forte para a liderar”, frisou.

No discurso mais longo e divertido, a representante dos Estados Unidos, na qualidade de país de acolhimento da sede das Nações Unidas, confessou que ela própria teve dúvidas sobre “se deveria evitar fazer planos de natal com a família no caso de o processo [de seleção do secretário-geral] se arrastar”.

Dadas as conhecidas divisões no Conselho de Segurança, muitos temiam que não conseguisse chegar a um consenso sobre o próximo secretário-geral”, explicou, fazendo Guterres sorrir, o que aconteceu raramente durante a sessão.

Mas a americana repetiria o feito. Como única mulher representante permanente no atual Conselho de Segurança e uma de apenas 37 mulheres representantes permanentes dos 193 Estados-membros, assumiu que a desigualdade de género é um assunto relevante.

Mas, se ser mulher não está entre as muitas qualificações de Guterres, ele comprometeu-se com a paridade de género em todos os níveis das Nações Unidas, com claros objetivos e prazos”, sublinhou, descrevendo o português como “extremamente qualificado” e capaz de “juntar cabeça e coração”.

Recordando que, enquanto Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Guterres passou noites em campos de refugiados, a representante dos EUA pediu um secretário-geral mediador da paz, reformista e defensor dos direitos humanos.

No final, citou o norueguês Trygve Lie, secretário-geral entre 1946 e 1952, que dizia que este era “o trabalho mais impossível do mundo”, para alertar: “O trabalho não ficou mais fácil com o tempo, mas sem dúvida que é hoje ainda mais importante.”