Halima Aden percorreu um longo caminho até se tornar a primeira mulher com burca a ser capa da revista Vogue britânica. A modelo de 20 anos cresceu num campo de refugiados, onde chegou mesmo andar descalça, mas neste momento usa sapatos de alta-costura por passarelles de todo o mundo. 

A família de Halima vivia na Somália quando, em 1992, a guerra que se instalava no país fez com que a sua casa ardesse. A família da modelo foi então obrigada a fugir para o Quénia, onde Halima nasceu e viu o campo de refugiados de Kakuma tornar-se na nova morada da família.

Foi ali, ao lado de quase 200 mil refugiados, que a jovem cresceu até os sete anos de idade. Naquela altura, o único sonho que tinha passava muito ao lado do mundo da moda, mas muito perto das suas origens: supervisionar o bem-estar dos refugiados no campo. 

Foi bom e divertido. Estávamos com muitas pessoas de religiões e culturas diferentes e isso fazia com que a nossa infância fosse divertida.", relembrou sobre as suas memórias infância em entrevista à CNN.

 

 

"Like so many industries in recent months, fashion has found itself at an important crossroads. At the world’s great design houses, at photographic studios, at fashion weeks and in the offices of magazines such as mine at #BritishVogue, crucial questions have been asked about working practices, safety and respect. Stock has been taken and safeguards to the way we operate have been made..." editor-in-chief @Edward_Enninful writes in his editor's letter for May Vogue. "Yet as a new mood begins to take hold – one that will only enrich and enliven creativity in fashion – I also believe that the time has come for us to look forward. In short, it is a moment for Vogue to do what it has always done best: to offer a bold vision of what the future can – and should – look like." For the May issue, nine models each changing the face of the fashion industry in their own way are photographed by @CraigMcDeanStudio with styling by Enninful for the cover story. From L to R: @vittoceretti, @Halima, @adutakech, @LaFaretta, @Palomija, @Pazhatu, @mulan_bae, @fransummers and @selenaforrest. Story by @ellie_pithers, make-up by @diane.kendal, hair by @orlandopita and nails by @megumiyamamotonyc. On newsstands April 6. Read Enninful's letter in full, plus how to subscribe to #NewVogue all at the link in bio

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Em 2004, a família de Halima conseguiu mudar-se para a cidade de St. Louis, no estado de Missouri, nos Estados Unidos. Depois ainda se mudaram para a cidade de St. Cloud, no estado de Minessota. Em ambos os sítios a família sentiu saudades da casa de Kakuma.

 

Nos Estados Unidos tínhamos panelas, mas em "casa" brincávamos todos juntos mesmo tendo crenças diferentes e formávamos o nosso próprio ambiente multicultural.", diz Aden à CNN. 

A vida de Halima mudou quando participou, também de burca, no concurso Miss Minnessota EUA em 2016. Para a modelo, esta participação foi uma oportunidade para acabar com a ideia de que as mulheres muçulmanas tinham que ser oprimidas. Halima confessou ainda que queria usar a burca para mostrar às pessoas que tinha orgulho na sua religião e cultura. 

Há tantas mulheres muçulmanas que sentem que não se enquadram que os padrões de beleza da sociedade. Só lhes quero dizer que é bom ser diferente e que este ser diferente é ser bonita também." 

No início deste mês, Aden regressou a Kakuma pela primeira vez desde que saiu para participar do evento TEDx no campo de refugiados. Ali quis deixar logo de parte qualquer sentimento de vitimização por ter crescido num campo de refugiados. 

Esta foi a minha primeira casa, um lugar de segurança para muitas famílias que vêm aqui para encontrar paz, mas também é triste porque não deixa de ser um campo de refugiados", disse ela no TEDx. 

A modelo explicou ainda que mesmo tendo passado por coisas muito difíceis enquanto viveu no campo de refugiados, a memória é de uma infância feliz.

Kakuma é definitivamente um lugar de esperança. O campo inspirou-me para trabalhar muito pela vida que queria". 

Passados 13 anos a modelo - que se juntou à UNICEF para melhorar as condições de vida dos refugiados, mas também "ser incluída nos assuntos que envolvam melhorar a vida dos refugiados" - confessa ainda que o campo pouco mudou desde então. 

Fiquei de coração de partido quando vi que as salas de aulas não mudaram muito desde a última vez. As crianças refugiadas merecem as mesmas oportunidades de crescer e ter sucesso na escola."

De acordo com a CNN, o campo Kakuma foi criado principalmente para os refugiados sudaneses do sul mas, neste momento, abriga milhares de deslocados das guerras por toda a África. A maioria destes refugiados depende de alimentos e ajuda de organizações humanitárias até que consigam assentar noutro local.