Foi pela Coreia do Norte, foco de atenção e tensão internacional nas últimas semanas, que António Guterres se estreou na 72.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, que decorre em Nova Iorque, perante 193 membros da Organização.

O uso de armas nucleares tem de ser algo de impensável. Mesmo a ameaça da sua utilização nunca poderá ser aceite. Este medo não é abstrato. Milhões de pessoas vivem na sombra do perigo causado pelos testes nucleares realizados pela Coreia do Norte. Condeno esses testes de forma inequívoca."

Guterres defendeu que só um solução política pode fazer frente à ameaça que surge de Pyongyang.

Quando a tensão aumenta, aumentam também as hipóteses de erro de cálculo. Declarações impetuosas podem conduzir a equívocos fatais. A solução deve ser política e este é o tempo da diplomacia. Não devemos caminhar como sonâmbulos para a Guerra", afirmou, lembrando que "a ansiedade global em relação às armas nucleares está no seu nível mais elevado desde a Guerra Fria".

O secretário-geral apelou, por isso, ao Conselho de Segurança para que se mantenha unido em relação ao conflito com a Coreia do Norte, depois de nove sanções votadas unanimemente desde 2006.

Apelo ao Conselho [de Segurança] para manter a sua unidade. Só essa unidade pode levar à desnuclearização da Península da Coreia e, como a resolução reconhece, criar uma oportunidade para o compromisso diplomático resolver a crise."

Guterres, que nos últimos anos foi Alto Comissário da ONU para os Refugiados, também falou em nome destes, lamentando a forma como "refugiados e migrantes têm sido estereotipados, além de serem bode expiatório" para "aproveitamento político" de alguns, naquela que está a ser vista como uma chamada de atenção a Donald Trump.

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O debate geral anual da 72.ª Assembleia-Geral da ONU começou hoje na sede da organização, em Nova Iorque, com o discurso do presidente brasileiro, Michel Temer, cumprindo a tradição que reserva ao chefe de Estado do Brasil honras de abertura dos discursos no órgão multilateral.

Imediatamente antes da abertura do debate geral, às 09:00 locais (14:00 em Lisboa), caberá ao secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentar o seu relatório anual, apesar de ainda não ocupar o cargo há um ano.

Na quarta-feira, às 11:30 locais (16:30 em Lisboa), será a vez de o primeiro-ministro português, António Costa, se estrear como orador no debate geral, entre chefes de Estado e de Governo, com um discurso centrado nos valores do desenvolvimento sustentável e da defesa do ambiente.