João Bernardo Vieira, também chamado «Nino» Vieira, ganhou visibilidade política na Guiné-Bissau quando, em 1980, foi chamado a substituir o primeiro Presidente do país, Luís Cabral, deposto pelo exército.

A Guiné-Bissau, que era uma colónia portuguesa desde o século XVI, proclamou a independência em 1973 depois de uma guerra de libertação e tornou-se oficialmente independente em 1974. Seis anos depois, Luís Cabral foi deposto e Nino Vieira foi designado para o substituir interinamente, antes de ser eleito, em 1984, presidente do Conselho de Estado.

O ano de 1991 foi de viragem democrática na Guiné. Até então um regime de partido único, o país adoptou nesse ano o multipartidarismo. Nino Vieira foi confirmado no poder três anos depois, quando o movimento que liderava, o Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde (PAIGC), venceu as primeiras eleições pluralistas.

Primeiro grande revés

Em Junho de 1998, primeiro grande revés para Nino Vieira. Um golpe de Estado liderado pelo general Ansumane Mané, antigo chefe de Estado-Maior, afastou-o do poder. A guerra civil durou 11 meses, o Presidente exilou-se em Portugal. A Guiné-Bissau passou a ser governada por uma Junta Militar.

Em 2000, o país regressou aos sufrágios. kumba Yalá chegou à presidência depois de o Partido da Renovação Social (PRS) ter vencido as eleições.

Em Setembro de 2003, novo golpe de Estado e nova reviravolta na presidência da Guiné-Bissau. O Presidente Kumba Yalá foi deposto por um Junta Militar comandada pelo chefe de Estado-Maior, o general Veríssimo Correia Seabra, que acabou por ser morto um ano depois por soldados amotinados.

2005, o ano da vitória

Nino Vieira, regressado do exílio, voltou a assumir os destinos do país em 2005, ao vencer as eleições presidenciais de Julho como candidato independente.

Em Novembro de 2008, a Guiné voltou às urnas para eleger um novo governo. O PAIGC, liderado por Carlos Gomes Júnior, foi o vencedor das legislativas. O escrutínio foi saudado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma «vitória da democracia». Em Dezembro, Nino Vieira nomeou Carlos Gomes Júnior para o cargo de primeiro-ministro, com quem viria depois a ter divergências profundas.

A 23 de Novembro desse mesmo ano, um grupo de militares atacou, de noite, a residência do Presidente, matando dois guarda-costas. Em Janeiro de 2009, o chefe de Estado-Maior garantiu ter escapado a uma tentativa de assassínio e acusou o clã presidencial de ter tentado «liquidá-lo».

O dia 02 de Março de 2009 assinalou mais uma reviravolta na História da Guiné-Bissau. O Presidente Nino Vieira foi assassinado no momento em que tentava fugir de mais um ataque contra a sua residência. A investida terá sido levada a cabo por militares afectos ao chefe do Estado Maior-General das Forças Armadas guineenses, também ele assassinado, na véspera, na sequência de um atentado à bomba.