Mais de 230 mil pessoas mortas, 1,6 milhões de feridas, 11 milhões em fuga, 20 mil desaparecidas nas prisões do regime. Este são alguns dos números negros do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) sobre o conflito que arrasou a Síria nos últimos quatro anos.

Quase sem jornalistas no terreno, as informações da organização sedeada em Londres são fruto de dados e relatos de ativistas, médicos, combatentes e outros testemunhos. 

Na lista do observatório, as forças do regime de Bashar al-Assad foram as que sofreram mais baixas: 85 mil mortos. Mais de metade eram tropas regulares (49 mil). Mas há também na lista 32 mil combatentes caídos, que pertenciam a grupos que lutam ao lado do governo e até  800 elementos do grupo libanês Hezbollah. 

Do outro lado, os rebeldes sofreram 72 mil mortos. Destes, 31 mil eram estrangeiros que estavam ao serviço de diversos grupos - entre eles os radicais do autoproclamado Estado Islâmico e do braço da Al Qaeda no conflito, a Frente Al-Nusra. 

Mas há também milhares de vítimas que não pegaram em armas. Delas, pelo menos 11 mil eram crianças e adolescentes e mais de sete mil mulheres. Sem que se saiba quem eram, o OSDH contabiliza mais de três mil.

Fora do número de 230 mil mortos estão dezenas de milhares de desaparecidos e sequestrados. Só nas prisões do regime perdeu-se o rasto a 20 mil pessoas.

O conflito deixou marcas também em 1,6 milhões de pessoas feridas e em 11 milhões que tiveram de fugir de casa para sobreviver. 

Depois de quatro anos, a guerra civil continua sem que haja um fim à vista. E os ataques multiplicam-se diariamente. 

67 mortos em dois ataques do governo

Esta terça-feira, o OSDH deu conta que dois dois mais recentes ataques do regime fizeram quase setenta mortos nas regiões de Idlib e Homs. 

O ataque mais mortífero dos dois ocorreu na aldeia de Al-Janudieh. Pelo menos 49 pessoas terão morrido, entre elas 10 mulheres e seis crianças.

Imagens recolhidas na localidade da província de Idlib mostraram corpos de vítimas espalhados pelo chão e o resgate de crianças em edifícios reduzidos a escombros. 

De Al-Rastan, a norte de Homs, também chegaram imagens de destruição e morte. Segundo, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos pelo menos 18 pessoas morreram, depois de aeronaves do regime ter largado do ar barris carregados com explosivos. 

Rebeldes tomam base do regime

Esta terça-feira chegaram informações de um ataque rebelde a uma grande base militar no sul, a nordeste de Deraa.

“Anunciamos a libertação de Liwa 52”, disse à Reuters o porta-voz da aliança de grupos rebeldes Frente Sul, na sequência da investida. 


“É muito importante porque é a segunda maior base que o regime tem [a sul]”, disse à Reuters Saber Safar, um antigo coronel do exército e agora comandante de um grupo opositor do regime.

Antes do anúncio da tomada da base feita pelos rebeldes, a televisão estatal síria tinha assegurado que o exército repelira a ofensiva.