A família de Chanin Viboonrungruang, o mais novo dos 12 rapazes que estiveram presos com o treinador durante 18 dias numa gruta em Tham Luang, no norte da Tailândia, e outros familiares, foram autorizados a ver os jovens através de um vidro, na quarta-feira, um dia depois da conclusão da operação de resgate de três dias para os conseguir retirar do local. O pai do menino de 11 anos conta agora o que sentiu quando, finalmente, pôde ver o filho, são e salvo, no ambiente controlado do hospital, onde deverá continuar durante mais sete dias, juntamente com os companheiros da equipa de futebol "Wild Boar".

Comecei a chorar, todo a gente começou a chorar", disse Tanawat Viboonrungruang, em entrevista exclusiva à CNN, sobre o momento que pôde ser visto em todo o mundo após ter sido divulgado um vídeo do reencontro.

Sentado na cama, o membro mais novo do grupo e o último a ser retirado da gruta, apenas antes do treinador, acenou aos pais, como que a dizer “Olá”, ao perceber que eles estavam do outro lado do vidro.

Os familiares das crianças não as viam desde que foram para o treino de futebol, a 23 de junho. 

Na entrevista à estação de televisão norte-americana, Tanawat Viboonrungruang recorda que tinha passado a noite anterior ao dia do desaparecimento a ver um jogo do Mundial de futebol com o filho.

Quero agradecer a quem salvou o meu menino. E o ajudou a ter uma nova vida, é como se tivesse renascido", disse o homem, com as lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto.

A mãe de Chanin, quando o viu, gritou por ele e repetiu as palavras “Sou Sou”, um termo tailandês de encorajamento.

Fiquei tão contente nesse momento", acrescenta, exausto, o pai do menino.

A alegria de Tanawat Viboonrungruang foi partilhada pelos pais dos outros menores, que também acenaram e choraram quando os filhos lhes acenaram "amo-te" das camas do hospital.

Foram vários os pais dos rapazes que, durante semanas, fizeram uma vigília constante fora da gruta para tentar saber dos filhos. A vigília passou agora para o hospital, onde podem ver os jovens através de um vidro para evitarem infeções.

Desde que o possa vê-lo vivo e saudável, estou bem com isso", diz Tanawat Viboonrungruang.

Ainda assim, o homem anseia pelo momento em que poderá abraçar o filho outra vez.

Eu acenei-lhe", refere. "Estava fraco, mas virou-se e acenou e, no início, dissemos-lhe… ‘Tu consegues ultrapassar isto. Vamos visitar-te todos os dias. Vamos esperar por ti. Não te preocupes com nada'", recorda o pai.

Tendo sido o último dos menores a sair, antes apenas do treinadorChanin Viboonrungruang viu os amigos a serem resgatados um por um durante dois dias e, apesar da tenra idade, esperou pacientemente pela sua vez.

Para os pais também foi um jogo de paciência e Tanawat sublinha que grande parte da força que manteve durante esses dias foi retirada das pessoas que se dirigiam ao local para ajudar e prestar apoio.

Só de pensar que todas aquelas pessoas estavam ali a esforçar-se muito para nos ajudar", recorda. "Tínhamos de permanecer fortes... Eles não deixaram que o medo levasse a melhor. Mantiveram a esperança porque estivemos juntos do primeiro ao último dia", afiança.

Os 12 rapazes e o treinador foram explorar a gruta depois de um jogo de futebol no dia 23 de junho. As inundações resultantes das monções bloquearam-lhes a saída e impediram que as equipas de resgate os encontrassem durante nove dias.

Durante esse tempo e até serem descobertos, sobreviveram com escassos mantimentos que tinham levado na mochila e apenas com a água existente no local.

O mundo acompanhou o drama que terminou na terça-feira, com o resgate bem-sucedido de todo o grupo do complexo de cavernas Tham Luang.